A Comissão de Agricultura realizou, ontem, uma audiência pública para debater a questão da violência na Zona da Mata e o problema da reforma agrária no Estado.
Após os debates, ficou decidido que o deputado Roberto Leandro (PT) irá fazer um relatório sobre os principais pontos levantados, que será enviado, na próxima semana, para o Ministério Público, o Incra, os ministros da Casa Civil e da Justiça, o governador do Estado e o presidente da República. “O objetivo é que as autoridades possam tomar medidas urgentes sobre essas questões que envolvendo a reforma agrária”, disse o presidente em exercício do colegiado, Isaltino Nascimento (PT).
“Há 7 anos, nós estamos sofrendo ameaças no Engenho Prado, na região da Mata Norte, feitas pelo empresário João Santos. Ele está ordenando os seus capangas para colocarem pesticidas nas nossas criações de peixes, veneno nas nossas águas, passando tratores em cima de nossas plantações e, infelizmente, a Polícia Militar está protegendo esses bandidos. O principal problema disso são os grandes latifúndios e o cultivo da monocultura da cana na Zona da Mata. Toda a história do nosso Estado é banhada pelo sangue dos trabalhadores”, disse o representante da Campanha Pastoral da Terra (CPT), Plácido Júnior.
Foram expostos na audiência vários números relacionados com o problema da terra em Pernambuco. “Após o Proálcool, 35 mil sítios foram extintos. Nesses 15 últimos anos, 150 mil empregos do campo deixaram de existir. A dívida da usinas e destilarias com o Estado é de R$ 3,4 bilhões. 35 mil famílias estão acampadas em todo o Estado de Pernambuco, sendo que, em toda a história, foram assentadas apenas 11 mil famílias”, relatou o superintendente do Incra, João Farias.
Além disso, foram mostrados os números da violência no campo. “De 1995 a 2002, aconteceram 428 agressões físicas com ferimentos. Nesse ponto, no ano passado, a União gastou 25 bilhões, enquanto o Ministério da Reforma Agrária gastou 1 bilhão e meio. 46 casos de tortura registrados. A polícia efetuou 235 prisões de trabalhadores rurais. Em todo o Estado, houve 932 conflitos envolvendo PMs, capangas de fazendeiros e agricultores sem terra. 17 pessoas foram assassinadas, sendo que nenhum caso foi julgado até hoje”, apresentou o representante do Movimento Tortura Nunca Mais, Odilon Dias.
A deputada Ceça Ribeiro (PT) demonstrou preocupação com relação à violência no campo. Ela disse que está “solidária com a situação envolvendo os trabalhadores rurais e todas as humilhações que vocês vêm sofrendo com essa política desigual do Governo do Estado, que prestigia os latifundiários. Espero que o Incra convoque imediatamente o sr. João Santos para esclarecer as denúncias que foram apresentadas nesse recinto, que pudemos comprovar quando visitamos aquela região”.
Isaltino Nascimento encerrou a audiência pública dizendo que espera “que surja soluções imediatas” para o fim da violência no campo. “É preciso combinar o Poder Legislativo com o Executivo em ações importantes, pondo um fim definitivo nesse massacre sofrido pelos os trabalhadores rurais do Estado”, concluiu.
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