A deputada Ceça Ribeiro (PT), que acompanha a disputa pela posse das terras do Engenho Prado, em Tracunhaém, ocupou ontem, a Tribuna, para denunciar a continuidade do clima de tensão, segundo ela, provocado pelos seguranças do Grupo João Santos e por membros da Polícia Militar, mesmo depois da visita feita na segunda-feira, pela Comissão de Defesa da Cidadania, que constatou o descumprimento de acordo para suspender as pressões sobre os integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST).
“Mesmo depois da nossa intervenção, junto com o superintendente estadual e o ouvidor nacional do Incra, o deputado federal Paulo Rubem Santiago (PT), o procurador geral de Justiça, a situação continua ameaçadora para os agricultores que tiveram as suas plantações contaminadas por herbicidas”, afirmou.
Depois de relatar pressões, como “o uso indevido” de um jipe da Polícia Militar, no último dia 25 de março, presenciado por ela, obrigando os agricultores a serem filmados pela TV Tribuna, do mesmo dono do Engenho, a deputada cobrou uma solução negociada e pediu a participação do governador Jarbas Vasconcelos (PMDB). O presidente da Assembléia, deputado Romário Dias (PFL), se comprometeu a ajudar, intermediando a marcação da audiência com o governador.
Ceça Ribeiro agradeceu a contribuição do presidente, que na última sexta-feira, agilizou uma audiência com o secretário de Defesa Social, Gustavo Lima. Ela lembrou que o compromisso do secretário para a retirada da metralhadora do jipe no sábado, só foi cumprido pela Polícia Militar na segunda-feira, o que só fez acirrar os ânimos. A parlamentar confirmou que o relatório da visita dos deputados e o vídeo com depoimentos dos agricultores seguirá, hoje, para Brasília.
“Não poderei ir, pois a situação está complicada, mas Paulo Rubem está marcando audiências no Incra, Ministério da Reforma Agrária e com as presidências da Câmara e do Senado para apresentar as denúncias”, completou. Em apartes, os deputados Roberto Leandro (PT) e Moisés Filho (PL), que participaram da visita, prestaram solidariedade à luta do MST e pediram uma solução negociada para evitar os conflitos.
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