Transporte alternativo em debate

Em 20/02/2003 - 00:00
-A A+

O sistema de transporte público de passageiros de Pernambuco foi alvo de amplo debate, ontem, na Assembléia Legislativa. O tema foi levado ao Plenário pelo terceiro-secretário da Casa, Nelson Pereira (PCdoB), que demonstrou preocupação com “o atual estado de descontrole”. Ele responsabilizou o Governo do Estado pelo “caos do sistema, com a concorrência predatória de ônibus e kombis, que atendem mal e engarrafam o trânsito, sem nenhuma gerência operacional”.

Pereira afirmou que a questão não foi bem tratada pela administração Jarbas Vasconcelos, “que não deu a devida importância e fez vista grossa para o problema”. O parlamentar defendeu uma ampla discussão, com todos setores envolvidos, para se chegar a uma solução concreta. “De nada adiantou alguns municípios fazerem regulamentações isoladas, pois a questão não foi tratada do ponto de vista metropolitano”, criticou.

O presidente da Alepe, deputado Romário Dias (PFL), lembrou que uma das metas da Mesa Diretora para este semestre “é estimular, com todas as partes envolvidas, a discussão e a busca de soluções definitivas para a questão”.

Neste sentido, será criada uma comissão especial, formada por nove titulares e nove suplentes, obedecendo à proporcionalidade das bancadas do Governo e da Oposição. “Vamos aproveitar as idéias dos três projetos sobre o sistema que tramitaram nesta Casa, dos ex-deputados Paulo Rubem Santiago e Geraldo Melo e do deputado Pedro Eurico (PSDB), e chegar a uma proposta que atenda aos interesses da população”, afirmou Romário.

Cinco parlamentares contribuíram para o debate sobre o sistema regular de transporte. Eles lembraram que a transferência de passageiros para os alternativos está afetando a “saúde financeira” de quase todas as empresas.

Eurico afirmou que o debate “é muito oportuno” e classificou, como meta essencial, a manutenção do sistema oficial. “Fico feliz porque esse debate precisa ser suprapartidário. Temos que enfrentar questões como o controle de linhas alternativas, em Candeias, por Policiais Militares em folga, e os grupos paramilitares que dão as cartas em Cavaleiro”, completou Eurico.

Sílvio Costa (PMN) afirmou que o sistema de transporte “está na UTI”, acumulando déficit de R$ 3 milhões por mês, e reforçou a necessidade do debate liderado pela Alepe. O deputado Antônio Moraes (PSDB) defendeu reformas, após lembrar que a Câmara de Compensação do Sistema de Transporte remunera por quilômetro rodado e não por número de passageiros, “o que só beneficia as empresas ineficientes”. Sobre os alternativos, ele disse que “só funcionam na ilegalidade”, sem pagar impostos. “Podem ser preservados como complemento, desde que haja solução para evitar que as empresas de ônibus quebrem em seis meses”, concluiu Moraes.

O líder do PFL, Augusto Coutinho, advertiu que o tema exige atenção urgente. “O problema precisa ser enfrentado sem partidarismos”, pregou Coutinho, lembrando que teve acesso a um estudo da EMTU que indica o aumento das passagens dos alternativos caso sejam legalizados. O líder da Oposição, Sérgio Leite (PT), parabenizou Pereira pela iniciativa do debate e afirmou que o secretário de Serviços Públicos do Recife, Dilson Peixoto, “está empenhado na busca de soluções para a melhoria do sistema de transporte de passageiros da capital.”