“Os ministros do Governo Lula não conhecem palafitas, favelas, e daí a necessidade de conhecer in loco as palafitas do Recife, numa viagem cultural e também de aspecto sentimental”. Foi nesse tom irônico que o deputado Pedro Eurico (PSDB) criticou, ontem, na abertura da reunião extraordinária, a escolha do Recife como espécie de capital mundial das palafitas e questionou, em seguida, o aumento do número de ministérios no Governo de Lula.
Eurico argumentou que, enquanto em Pernambuco o Governo busca enxugar a máquina do Estado, tornar a administração mais leve, na área federal houve ampliação de órgãos e cargos. Ele fez referência, em seguida, ao posicionamento do ministro da Ciência e Tecnoogia, Roberto Amaral, que defendeu o uso pacífico da energia nuclear e o desenvolvimento de uma bomba atômica, a ser construída com tecnologia nacional.
As críticas de Eurico foram consideradas uma provocação pelo deputado Sérgio Leite (PT), pois “Pernambuco deveria agradecer a vinda de Lula ao Recife e a decisão de examinar com os ministros um dos problemas crônicos, gravíssimos, que são as favelas e palafitas”. Adiantou que a visão do quadro pode servir de “amostragem da questão da moradia no Estado e no País, que foi abandonada pelo Governo anterior, defendido por Pedro Eurico”, acrescentou.
Sérgio Leite lamentou que o Governo do Estado, na convocação extraordinária da Assembléia, tenha deixado de prestar informações sobre o conteúdo das medidas enviadas para exame pelo Legislativo. Acusou o governador de “fazer o que quer, da forma que quer, tanto que nem sequer ouviu os seus aliados sobre a Reforma Administrativa, que tende a ser mais um passo no sentido de causar prejuízos ao Estado”, concluiu.
O líder do PT, deputado Paulo Rubem, fez rápida alusão às críticas ao Governo Lula e ressaltou a “convergência de energia positiva, sentimentos e esperanças que marcaram a posse e as suas primeiras ações”. Paulo Rubem considerou tal expectativa, confiança, como “parte da face ampla da pluralidade cultural e política da nação brasileira, convicta da perspectiva de vencer turbulências e especulações que possam prejudicar o País”, disse.
O deputado Nelson Pereira (PCdoB) voltou a pedir medidas contra a falta dágua em Mirandiba, no Sertão do Estado, onde a população não dispõe do produto para atender às suas necessidades básicas. Esclareceu que a situação também atinge outros municípios sertanejos, “reflexo dos efeitos da estiagem e da péssima administração dos recursos hídricos pela Compesa, que em Mirandiba deixa a população sem água nas torneiras por mais de 30 dias”, concluiu.
Expectativa Hélio Urquisa (PMDB) “Nós aprovaremos os projetos de relevância para a população, em tempo hábil, nas comissões técnicas e depois em Plenário, contanto que seja de forma democrática. É necessária a modernização da máquina administrativa, que vai criar superintendência e gerências”.
Paulo Rubem (PT) “A reforma administrativa acontece normalmente; isso são apenas ajustes e esperamos que não haja prejuízos, mexendo na arrecadação e comprometendo a receita do Estado. Às vezes, são realizadas reformas que não têm nenhuma relação que favoreça à população. Sairá algo, não é apenas uma reunião de parlamentares com pagamento”.
José Queiroz (PSB) “Tenho a impressão de que o tempo para análise das matérias é insuficiente (para que sejam analisadas de maneira detalhada e consciente), e isso prejudica a contribuição do Legislativo, independentemente de Oposição ou de Governo, para aperfeiçoá-las. A extra foi convocada, apesar disso, não chegaram todos os projetos”.
Roberto Liberato (PFL) “Alguns projetos têm que ser analisados de forma profunda, como as mudanças de cargos e diminuição de secretarias. Porém, é importante a aprovação das matérias para o enxugamento da máquina administrativa, que representará R$ 60 milhões de economia para o Estado”.
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