Suspensão de cursos na PM criticado por petista

Em 09/05/2002 - 00:00
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Suspensão de cursos na PM criticado por petista O líder do PT, deputado Paulo Rubem, ocupou a Tribuna na tarde de ontem para tratar da suspensão do curso para cabos e sargentos da Polícia Militar. O comando da PM tomou a atitude após uma série de medidas de segurança interpeladas pelo advogado Adolfo Moury Fernandes, que triplicou o número de oficiais inscritos no curso. O parlamentar fez pronunciamento em defesa do advogado, duramente criticado pela polícia, que o acusou de “vender ilusões por R$ 500 aos oficiais”.

“Moury Fernandes sempre prezou pela ética profissional e nunca teve uma conduta comprometedora. É constrangedor para o estado democrático de direito as expressões usadas para atacar indevidamente o advogado”, disse Rubem. O deputado referiu-se à declarações do major Chusa Júnior, que acusou o advogado de ter ganho R$ 200 mil com os mandatos, que ainda por cima teriam provocado redução operacional ao policiamento ostensivo nas ruas.

Rubem discordou da justificativa e fez sérias críticas ao comando da PM. “Esse argumento não tem fundamento. A medida atropela os critérios previstas por lei e revela o deboche, a imoralidade dessa organização estúpida sustentada pelo Governo”, disparou o petista. O parlamentar defendeu o direito de ingresso no curso por parte dos oficiais e informou que muitos deles se sacrificaram na esperança de promoção, mas voltaram para casa do mesmo jeito.

Em apartes, vários deputados também saíram em defesa do advogado. “Não posso compadecer com um comportamento inqualificável e injustificável. Não entendo uma posição do comando no sentido de fazer aleivosias contra um cultor da justiça. Um profissional no pleno exercício de seu múnus profissional não pode ser levado ao achincalhe”, colocou o deputado Gilberto Marques Paulo (PSDB).

O deputado Sérgio Leite (PT) também concordou com o pronunciamento de Rubem.

“Essa decisão é arbitrária e usa de um argumento falso e demagógico, além de querer macular a imagem de um homem que sempre ganhou causas importantes em favor dos servidores”, disse. Sebastião Rufino (PFL) por sua vez, convidou Paulo Rubem para ir até o comando da PM averiguar o acontecido com mais profundidade.

O líder petista disse que é preciso garantir a firmeza nas causas em defesa do direito dos excluídos e cobrou maior fiscalização da Assembléia sobre a atuação da Polícia Militar de Pernambuco. “O Poder Legislativo deve olhar com mais atenção para o que ocorre dentro da instituição. Fatos desmoralizantes como esse não podem se repetir. A hierarquia jamais deve se sobrepor à democracia”, falou o parlamentar.

Em seu pronunciamento Rubem ainda registrou decisão do Tribunal de Contas (TCE) mantendo a condenação do secretário de Administração do Estado, Maurício Romão.

O secretário havia sido denunciado pelo deputado por ter feito contratação da empresa Arconsult “através de licitação irregular”, no valor de R$ 480 mil.

Romão foi condenado a pagar uma multa de R$ 2 mil. “Ainda é pouco para quem privilegiou um contrato desse tipo, utilizando-se de forma inadequada do dinheiro público”, disse o petista.