Romário critica vandalismo na sede regional do Incra

Em 09/05/2002 - 00:00
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Romário critica vandalismo na sede regional do Incra A ocupação das dependências do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na última segunda-feira (06), por integrantes do Movimento dos Sem Terra (MST), com o apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT), resultando na depredação de móveis e equipamentos do órgão, foi criticada ontem pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado Romário Dias (PFL). O parlamentar lamentou os excessos que, segundo ele, foram cometidos pelos camponeses comandados pelo líder estadual do MST, Jaime Amorim, Antônio Francisco da Silva (MST de Escada) e Marluce Melo (CPT).

“Sou favorável à reforma agrária e reconheço que o Governo Federal ainda precisa melhorar nesta área, mas não podemos admitir atos de vandalismo dignos de bandidos que devem ir para cadeia, e não de agricultores interessados em produzir e garantir o sustento de suas famílias”, destacou Dias. O presidente recebeu um grupo de empregados e o relatório do Incra, detalhando os equipamentos danificados.

A vistoria foi feita pelo superintendente do órgão, Geraldo Eugênio, depois da desocupação, na noite de anteontem. Segundo Romário, foram quebrados 28 birôs, arrombadas quase 60 portas, roubado um liquidificador e os alimentos da copa.

“Vitrais e vidros de carros oficiais foram quebrados, servidores sofreram agressões e os invasores espalharam documentos de vistorias de terras”, acrescentou.

Dias lembrou que dirigiu o Incra no Nordeste durante cinco anos e sempre teve um bom diálogo com líderes de agricultores como José Rodrigues e Romeu da Fonte. “Sempre fui contra a destruição do patrimônio público”, garantiu.

Em aparte, o deputado Nelson Pereira (PCdoB) questionou as acusações do presidente, lembrando que esteve no Incra anteontem e não viu destruição.

Lembrou que o MST já tinha acertado o encaminhamento das reivindicações de liberação de recursos para assentamentos em reunião programada para ontem, em Brasília, por isso, não se justificaria a movimentação.

O presidente alegou que o quebra-quebra ocorreu à noite, quando Pereira não estava lá. O deputado Carlos Lapa (PSB) defendeu o MST ao lembrar que “paciência tem limite”. Ele afirmou que “se pode cometer equívocos, mesmo não sendo o caminho mais correto, quando se passa fome e necessidade por falta de uma política concreta do Governo Federal para realizar a Reforma Agrária”.

Em pronunciamento seguinte, o deputado Paulo Rubem Santiago (PT) estranhou a informação dos danos ao Incra, já que o MST tinha feito acordo para liberação dos créditos retidos em Brasília. “Quebradeira não foi o propósito dos camponeses”, afirmou Santiago, levantando suspeitas de que o “vandalismo” pode ter sido produzido para relacionar o MST à campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Estamos acostumados com estas artimanhas. Pode ter sido uma armação”, concluiu.