Corregedoria da PM não apura denúncia Indignação. Este foi o sentimento que imperou no plenário, durante o pronunciamento do deputado João Braga (PV), sobre a Corregedoria Geral da PM que investiga a existência de um esquadrão da morte composto por integrantes do Serviço de Inteligência da corporação (SEI). Na última quarta-feira (13), o secretário de Defesa Social, Gustavo Lima, enviou uma correspondência à Comissão de Cidadania na qual afirma que a Corregedoria da PM não chegou a nenhuma conclusão sobre o caso. “Nos reunimos durante o recesso para discutir as denúncias e demos um prazo de 60 dias à Secretaria para apurar os fatos e nos dar o retorno. Ontem (anteontem), fui surpreendido com este relatório que não diz nada. Isso é uma afronta a este Poder”, definiu.
De acordo com o documento entregue ao deputado, a Corregedoria não ouviu nenhum dos acusados ou testemunhas. “O próprio secretário diz no documento que a Corregedoria não cumpriu o seu papel, não desenvolveu as atividades de sua competência”, acrescentou Braga. O parlamentar disse ainda que Gustavo Lima se dispôs a participar da audiência pública marcada para ontem, quando se encerrava o prazo para que a Secretaria de Defesa de Social esclarecesse o caso. “Tive que dispensá-lo. Ele viria apenas ler um relatório que não traz nenhuma informação sobre as denúncias”, explicou.
Em aparte, o deputado Paulo Rubem Santiago (PT) acusou o Governo de “debochar” da Assembléia Legislativa. “Não é a primeira vez que este Poder pede informações e não é atendido. O Estado de Pernambuco não pode aceitar que os poderes públicos sejam tratados dessa forma”, atacou. O deputado João Braga tentou acalmar os ânimos lembrando que o secretário se propôs a participar da audiência que seria realizada ontem.
O deputado Gilberto Marques Paulo (PSDB) ressaltou a gravidade do caso, mas saiu em defesa do secretário. “Tanto o secretário de Defesa Social quanto o seu adjunto se dispuseram a vir a esta Casa, em dezembro, e prestaram os esclarecimentos, na medida do possível, de acordo com as informações que dispunham no momento”. “Ainda assim”, complementou Marques Paulo, “é inaceitável que depois de tanto tempo não tenhamos o devido retorno. A impressão que fica é a de que estamos aqui como meros carimbadores das opiniões que vêm de fora”, desabafou.
Os deputados Diniz Cavalcanti (PMDB), Sebastião Rufino (PFL) e Antônio Moraes (PSDB) também apartearam o discurso. Todos se mostraram indignados com o “descaso” da Corregedoria e exigiram â apuração do caso. Moraes disse ainda que, em reunião com Gustavo Lima, na tarde da última quarta-feira, testemunhou a surpresa do secretário com o relatório entregue pela Corregedoria. João Braga continuou esclarecendo o alvo de suas críticas. “Minha crítica não vai apenas para o secretário, que responde pela Polícia Militar, mas também ao corregedor, Francisco Edilson de Sá, que, inclusive, é um homem que respeito muito”, esclareceu.
Ao final do longo discurso, o deputado João Braga reiterou que a AL não vai se calar diante da omissão da Corregedoria. “Ou o corregedor não tem competência ou não tem coragem de apurar os fatos. E, se for este o caso, deveria ser substituído”, acrescentou. O parlamentar disse ainda que a Assembléia vai convocar o secretário de Defesa Social, o corregedor geral da PM e o comandante Iran Pereira, para prestar os devidos esclarecimentos.
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