Sessão lembra fundação

Em 16/05/2000 - 00:00
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Sessão lembra fundação Cem anos da fundação Osvaldo Cruz foram lembrados ontem A Assembléia Legislativa lembrou ontem, em sessão especial, o centenário da Fundação Osvaldo Cruz, as suas ações ao longo deste século, pois surgiu como instituição voltada para a pesquisa biomédica, visando produzir soros e vacinas, combater epidemias, de sorte a contribuir para a solução dos problemas de saúde pública no país.

Na abertura da sessão, que contou com a presença do Secretário da Saúde, Guilherme Robalinho, autoridades da área médica, o deputado Garibaldi Gurgel ressaltou a importância da Fundação, o início de sua atuação na Fazenda Manguinhos, como Instituto Soroterápico Federal e a função de produzir soros e vacinas para debelar a peste bubônica a febre amarela.

Garibaldi Gurgel fez referência às campanhas de saneamento que marcaram os primeiros momentos da instituição, as reações que surgiram diante dessa posição, e a persistência do médico Osvaldo Cruz em adotar medidas para sanear o Rio de Janeiro, então assolada por surtos de peste, febre amarela e varíola.

O Secretário da Saúde, Guilherme Robalinho, abordou em seguida aspectos do setor no Estado, as limitações que a saúde pública vem enfrentando, assegurando que se tem avançado no atendimento da população, tanto na zona urbana como rural. Ele colocou como fator de agravamento da situação a questão do saneamento, que enfrenta dificuldades.

Guilherme Robalinho lamentou que não haja prioridade para o saneamento, que nos últimos passou a contar com menos recursos, além da extinção de órgãos do setor.

Nesse aspecto, o país não tem instrumentos para executar uma política de saneamento, que seria essencial para combater os fatores que influem no surgimento de epidemias e no combate às endemias.

Jorge Gomes enfocou o retorno das epidemias um século depois e assegurou que, do ponto de vista político, elas se constituem indicadores da natureza do Estado, revelando sua composição e interesses. Nesses 500 anos – afirmou – o país conviveu com epidemias de febre amarela, cólera, dengue. gripe espanhola, peste, sendo mais atingidos os pobres, os índios, os negros, ou seja, os excluídos do projeto das elites que sempre dominaram o Brasil.

Jorge Gomes adiantou que após cem anos das ações implantadas por Osvaldo Cruz, os jornais noticiam casos de doenças como cólera, dengue, febre amarela e outras, com vítimas fatais, resultados da ausência de saneamento, de uma política para combater as doenças transmissíveis.

Jorge Gomes criticou a orientação do Governo com relação ao SUS, sendo exemplo de descaso os vetos ao Orçamento Geral da União que proibe a vinculação de recursos do excesso de arrecadação para equalizar as verbas do Sistema. Assim o discurso do Governo Federal fica eivado de promessas vazias, sendo a saúde da maioria do povo brasileiro relegada a segundo plano.

A médica Eridan Medeiros, do Centro de Pesquisas Ageu Magalhães, representou o Diretor do Instituto Osvaldo Cruz, José Rodrigues Coura, e em seu nome afirmou que a instituição é a mais antiga e importante unidade da Fundação. A Fundação tem sido um templo para a ciência brasileira e deverá manter essa posição.

(Nagib Jorge Neto)