Araújo questiona ação do Banco do Nordeste

Em 21/05/1999 - 00:00
-A A+

O deputado Bruno Araújo (PSDB), pimeiro vice-presidente da Assembléia, analisou, ontem, dados e informações sobre o desempenho do Banco do Nordeste na liberação e aplicação de recursos para o setor privado e estranhou a acanhada posição que Pernambuco ocupa em relação às linhas de crédito da instituição, “fato que está em descompasso com a importância da participação do Estado na economia nacional e regional”.

Araújo comentou a palestra do Presidente do Banco do Nordeste, Byron Queiroz, feita na Federação das Indústrias de Pernambuco, na qual se observa que nas aplicações totais do Banco, de janeiro a abril deste ano, num total de R$ 500 milhões, Pernambuco ficou com um tímido 3º lugar, equivalente a 12% do total.

Enquanto isso, o Ceará concentrou 32% dos recursos liberados, a Bahia quase 20%, ou seja, mais de 50% dos recursos aplicados em dois Estados.

Depois de ressaltar que o Ceará conseguiu quase o triplo de recursos em relação a Pernambuco, liberados por uma instituição federal, sediada em Fortaleza, Bruno Araújo revelou maior surpresa com a linha de crédito denominada Recursos Internos do Banco. Ele argumentou que nessa linha o Ceará conseguiu, este ano, cerca de 50 milhões (38% do total) e Pernambuco apenas 8 milhões (6% do total).

O parlamentar lembrou que o crédito para capital de giro é escasso e difícil de ser conseguido, mas, nessa linha do Banco do Nordeste, Pernambuco foi suplantado ainda por Alagoas, Bahia e Minas Gerais, ocupando um distante 5º lugar, apesar de deter o 2º lugar no PIB regional. Ele estranhou o fato e esclareceu que em 98 o Banco do Nordeste aplicou quase R$ 240 milhões, sendo que o Ceará foi agraciado com metade, ou seja, R$ 120 milhões.

“O Ceará foi beneficiado com 60% dos recursos oriundos da resolução 63 do Banco Central, recebendo R$ 14 milhões, enquanto Pernambuco conseguiu apenas R$ 2,6 milhões, ou seja, 11% do total liberado. De igual modo, há distorções na distribuição de recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) destinado às pequenas e microempresas”.

Nessa linha, explicou Araújo, o BN contratou, de janeiro a abril, cerca de R$ 40 milhões, dos quais metade foi para o Ceará e o restante distribuído entre os oito Estados que compõem a região em que atua o Banco do Nordeste. No programa, Pernambuco ficou, mais uma vez, em 5º lugar, com apenas R$ 2,6 milhões, isto é, 7% do total, dado que “aumenta a perplexidade, pois Pernambuco possui uma economia de pequenos negócios ampla e mais dinâmica do que a grande maioria dos Estados da região”.

Bruno Araújo comentou ainda a aplicação de recursos na área social, citando o Proger, em que Pernambuco aprovou 270 operações e a Bahia, 1.300, distorção que se observa no Programa da Terra, em que Pernambuco aprovou apenas 800 operações, a Bahia, 1.500 e o Ceará, 5.600. Essa tendência também se observa no FNE, em que as liberações, de janeiro a abril, demonstram que o Ceará ficou com R$ 21 milhões, a Bahia, com R$ 13 milhões e Pernambuco, com R$ 4 milhões. “A questão é preocupante, pois o FNE é a principal linha de crédito do BN, com um papel definido como instrumento de desenvolvimento da região”.

Solidariedade – Os deputados Augustinho Rufino, Antônio Moraes, Augusto Coutinho e Jorge Gomes manifestaram solidariedade ao parlamentar, admitindo distorções na política do Banco e discriminação contra o Estado. Eles reivindicaram uma nova política de desenvolvimento, capaz de combater as desigualdades regionais e o favorecimento de Estados dentro da região.

Bruno Araújo incorporou os apartes e solicitou ao plenário tomar posição para esclarecer a diferença de tratamento do Banco do Nordeste. Também sugeriu um pedido de esclarecimento da direção do Banco do Nordeste sobre a liberação e aplicação de recursos na região. (Nagib Jorge Neto)