Empresário atribui à seca o baixo faturamento de usinas

Em 16/04/1999 - 00:00
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A queda na produção canavieira, na Zona da Mata Norte, está diretamente relacionada à estiagem e, em conseqüência disso, as usinas de cana-de-açúcar vêm apresentando uma redução de 60% no faturamento. Esse foi o panorama traçado pelo empresário José Guilherme Queiroz, diretor da Usina Cruangi, em Timbaúba, convidado pela Comissão de Agricultura e Política Rural para expor a situação da região. Ele alertou que as perspectivas para o setor são sombrias, se não houver investimentos e o incentivo à produção de outras culturas. A sugestão de convidar o empresário partiu do deputado Antônio Moraes (PSB).

Inicialmente, Queiroz exibiu slides sobre os índices pluviométricos verificados na Mata Norte, desde 1941 até o ano passado. Ele garantiu que nunca houve um ano tão difícil para aquela região como 1998, com o registro de apenas 518 milímetros de chuva. O empresário também mostrou à Comissão os investimentos que vem fazendo para ampliar a capacidade produtiva da Usina Cruangi. Ele construiu duas barragens, duas hidrelétricas (uma em fase de conclusão) e adotou sistemas de irrigação por gotejamento fixo e móvel. Esse último, por exemplo, representa economia de 1/3 da água e energia utilizadas. “Construímos as barragens porque tínhamos máquinas para isso”, frisou, lembrando que os governos têm que buscar soluções criativas para a região. “Se ficarmos à mercê da natureza, iremos sucumbir”, advertiu.

O deputado Henrique Queiroz (PPB), que participou das discussões, questionou os programas de assistência a trabalhadores da cana-de-açúcar, nos períodos de entressafra, observando que os canavieiros são desviados para fazer serviços sem qualquer relação com a atividade agrícola. Diante do problema, ele pediu sugestões ao empresário para um melhor aproveitamento desse contingente. Na opinião de Queiroz, os trabalhadores deveriam ser relocados para outros plantios, como o do milho e do feijão, por exemplo. (Cláudia Lucena)