A situação das barragens do Estado, o racionamento, a previsão da chegada de chuvas, a qualidade da água consumida hoje pela população e a perfuração indiscriminada de poços artesianos foram alguns dos assuntos em destaque, ontem, na audiência pública promovida pela Comissão de Defesa da Cidadania. O diretor de Operações da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), Antônio Carlos Coelho, alertou que todas as barragens estão operando abaixo de sua capacidade. “Estamos tendo que bombear água dos chamados porões desses reservatórios e, certamente, há uma queda na qualidade do produto”, admitiu.
Antônio Coelho ressaltou que, ao assumir o Governo, Jarbas Vasconcelos já se deparou com uma grave crise no abastecimento de água em todo o Estado. Ele lembrou, inclusive, que, no final do Governo Arraes, em dezembro passado, o racionamento na Região Metropolitana do Recife (RMR) foi intensificado.
“Infelizmente, apenas 20 dias após termos assumido, também fomos obrigados a ampliar esse racionamento, sob pena de haver um colapso”, disse o diretor, lembrando que as previsões feitas por institutos meteorológicos, que indicavam chuvas a partir do mês de março, não se consumaram.
Coelho advertiu que, diferentemente da Região Metropolitana, Zona da Mata e Agreste, a situação do Sertão é ainda mais crítica, porque não há expectativa de chegada de chuva suficiente para abastecer os mananciais da região. “De fato, o panorama geral é grave, a Compesa está consciente disso e busca soluções”, reconheceu.
Uma comissão de moradores do Conjunto Jardim Petrópolis, na Várzea, também compareceu à audiência pública para reclamar da falta de água naquele local e do valor cobrado nas contas, que consideram alto. O diretor de Operações informou que a Compesa já está reativando uma estação elevatória para resolver o problema. A comunidade também pediu uma CPI para apurar as denúncias de irregularidades na Barragem de Pirapama, no Cabo, cujas obras estão paralisadas desde 1994.
Antônio Coelho ainda expôs sobre a crise financeira por que passa a Companhia, observando que, com a redução da oferta de água, ela perdeu 40% de sua receita.
“Cerca de 68% de nossos usuários têm hidrômetros em suas residências, mas os 32% restantes, que não dispõem desse equipamento, pagam apenas taxa mínima, de R$ 4,90”, informou.
Poços artesianos – O diretor de Recursos Hídricos da CPRH, Aldir Pimentel, que também participou da audiência pública promovida pela Comissão de Defesa da Cidadania, explicou que a Companhia fez um estudo para disciplinar a perfuração de poços artesianos no Estado. Ele disse que, na Região Metropolitana do Recife, há 2.700 poços, sendo 1.400 no Recife (a maioria desses, inclusive, foi perfurada sem critérios).
Para evitar um colapso total do lençol freático, Pimentel explicou que a Secretaria de Recursos Hídricos vai controlar o uso desses mananciais subterrâneos. “A população precisa se conscientizar e respeitar a lei”, frisou.
(Cláudia Lucena)