O debate sobre desemprego, na sessão especial presidida, ontem, pelo deputado Lula Cabral (PFL), contou com intervenções dos deputados João Paulo, Luciana Santos e José Queiroz, bem como da ex-secretária Tânia Bacelar e do presidente da CUT/PE, Jorge Perez.
João Paulo O deputado João Paulo (PT) disse ontem, na sessão especial da Assembléia, que o modelo de capitalismo, implantado no Brasil e nos grandes países do mundo, é concentrador de riquezas e gera o desemprego. “As elites que comandam este processo não vêem as pessoas como seres humanos, mas, sim, como objetos de lucro e especulação que merecem ser cada vez mais explorados”.
Segundo o parlamentar, as elites do País não se incomodam com os desempregados.
Não têm qualquer interesse em dar oportunidade de emprego para os jovens que se formam. “Hoje, um trabalhador de 25 anos é considerado velho em alguns setores da economia, um verdadeiro absurdo”. Para ele, o governo de FHC baseou-se “na política desastrosa de favorecer os banqueiros nacionais e internacionais, na abertura predatória das fronteiras do País à importação”. (Antônio Magalhães) Luciana Santos A líder do PC do B, deputada Luciana Santos, primeira oradora na sessão especial ontem da Assembléia Legislativa sobre o desemprego, elogiou a campanha da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em favor dos desempregados e atacou a política neoliberal implantada pelo governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, que vem agravando o problema.
“Depois que ganhou a reeleição prosseguiu , FHC mostrou sua verdadeira face: a de defensor do sistema financeiro nacional e internacional, renegando o setor produtivo que gera empregos. A crise que atingiu o País em seguida revelou até que ponto o Brasil era dependente do capital volátil. A expressão máxima desse fato foi a entrevista na TV do ministro Pedro Malan ladeado pelos representantes do FMI, num acinte à soberania nacional”.
A deputada lamentou ainda que o Brasil não tenha política de desenvolvimento nacional ou regional. (A M) José Queiroz O líder do PDT na Assembléia, deputado José Queiroz, qualificou o desemprego como “um sofrimento imposto por governantes insensíveis”. Por conta disso, ele elogiou a iniciativa da CNBB de promover uma campanha contra o desemprego que tem o apoio da sociedade e o repúdio das elites.
Segundo Queiroz, o capital especulativo vem sacrificando as nações emergentes, como o Brasil, em benefício dos países ricos. “Quando um trabalhador fica desempregado no Primeiro Mundo, ele tem a garantia de que sua família vai continuar tendo educação e assistência médica. Já nos países pobres, o desemprego acaba com tudo isso. O trabalhador fica desamparado. E este é o desafio para os políticos sérios: assistir os desvalidos”, acrescentou.
O líder pedetista disse, por fim, que o homem deve ser a síntese de todas as ações humanas e não o contrário, como pregam as elites. (A M) Tânia Bacelar A economista Tânia Bacelar, da Fundação Joaquim Nabuco, focou como causa principal do desemprego a “financeirização” da economia brasileira. Segundo ela, houve uma ampliação da riqueza do capital não-produtivo que destruiu os empregos. “Essa política começou com o presidente Collor, quando promoveu a desregulamentação financeira, e prosseguiu radicalmente com o presidente Fernando Henrique”, acrescentou Tânia Bacelar mostrou-se preocupada com os efeitos do predomínio da política financeira no País. Antes, segundo ela, o subemprego se sustentava com a economia em crescimento. E hoje não há a perspectiva do Brasil crescer. “O resultado desta política está nas ruas. A violência urbana é a expressão mais clara desta mazela que é o desemprego”, completou.
Por fim, para mostrar a força mundial do capital financeiro em relação ao capital produtivo oriundo do trabalho, a economista informou que o produto mundial é de 34 trilhões de dólares, enquanto o mercado financeiro global agrega 290 trilhões de dólares, apontando sua volatilidade. (A M) Jorge Perez O presidente da Central Única dos Trabalhadores em Pernambuco, Jorge Perez, apontou a “crise do real”, provocada por uma política econômica que anula a capacidade de crescimento do país, como a principal causa do desemprego no Brasil. Para ele, a política neoliberal do governo FHC só tem aumentado as taxas de desemprego nos últimos anos.
“A desculpa para o crescimento do desemprego é a globalização, tida como ‘algo inevitável’ pelo governo, mas, na realidade, é fruto de uma política econômica desastrosa”, afirmou Perez. Ele parabenizou a CNBB pela forma como foi colocada a questão, estimulando o debate na sociedade.
Como alternativas para o desemprego, o presidente da CUT-PE citou um exemplo aqui mesmo no Estado: a Usina Catende que, em processo de falência, foi assumida pelos trabalhadores, tocando sua produção, com a manutenção de dois mil empregos. (Marconi Glauco)