Romário Dias: venda da Chesf é um mau negócio

Em 20/03/1999 - 00:00
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A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) é de fundamental importância para a manutenção do desenvolvimento do Nordeste. Por isto mesmo, seu projeto de privatização deve levar em conta os aspectos sociais envolvidos no processo. Esta é a opinião do deputado Romário Dias (PFL). Para ele, da forma como está sendo anunciada, a privatização é lesiva aos interesses maiores da região nordestina.”Não sou privativista ortodoxo e nem tampouco defensor de monopólios e oligopólios públicos ou privados. No caso específico da Chesf, deve-se levar em conta algumas particularidades, pois trata-se da única empresa hidrelétrica do Nordeste”, ressaltou Romário, lembrando que os rumos da privatização podem afetar diretamente a região.De acordo com o parlamentar, na legislatura passada, quando a Chesf foi colocada na relação das estatais que seriam privatizadas, ele apresentou o requerimento de nº 810 para criação de uma comissão especial que analisaria o assunto. Criada a comissão, foram ouvidos o então presidente da empresa, Sérgio Moreira, o representante dos eletricitários, Edvaldo Gomes, o deputado federal Fernando Ferro (PT) e o presidente do sindicato dos administradores, Mauri Costa.Além disso, a comissão realizou reuniões na Sudene, com técnicos da autarquia e da própria Chesf. Segundo o deputado Romário Dias, todas as opiniões convergiram para um ponto comum: o da necessidade de que a fórmula de privatização da hidrelétrica fosse especial, garantindo o controle das águas do rio São Francisco pelo Poder Público, de forma que a população não fosse penalizada. “Se minha iniciativa na época e as propostas dela retiradas tivessem sido melhor aproveitadas talvez hoje não houvesse mais necessidade de começar uma batalha que já estaria vencida”, frisou Romário. Segundo ele, além da produção de energia elétrica, as águas do rio São Francisco são essenciais para a irrigação agrícola.O parlamentar pefelista entende que o Poder Legislativo estadual deve se mobilizar junto à Câmara Federal, através do relator do projeto, dep utado José Carlos Aleluia, para que o controle das águas do São Francisco permaneça com o Poder Público. “É preciso que, independente de partidos e ideologias, possamos influir de forma positiva, propondo soluções que compatibilizem o interesse econômico da Nação com o direito dos cidadãos viverem de forma digna”, destacou.Romário Dias fez uma proposta à Mesa Diretora para que seja instituída uma comissão de representação do Legislativo estadual com o intuito de colher, junto à Câmara Federal, subsídios de todas as fases do processo de privatização da Chesf, tomando conhecimento das negociações que dizem respeito à manutenção, manejo e uso dos recursos hídricos do rio São Francisco. “Assim, poderemos garantir aos pernambucanos que, efetivado o processo, sejam respeitados os direitos da população”, completou. (Marconi Glauco)