Na falta de recursos para investimentos no aparato policial, os organismos responsáveis pela segurança pública vêm adotando alternativas criativas para conter a violência e criminalidade em Pernambuco. As novas medidas foram debatidas pelo secretário de Defesa Social, general Adalberto Bueno, pelo diretor-geral de Polícia Civil, Manoel Carneiro, e pelo comandante da Polícia Militar, coronel Carvalho, ontem pela manhã, durante audiência pública promovida pela Comissão de Defesa da Cidadania da Assembléia Legislativa.Embora os dirigentes das instituições policiais tenham ampliado a abordagem da questão da segurança pública no Estado, o foco das discussões esteve voltado para os constantes assassinatos de taxistas no Grande Recife. De acordo com o coronel Carvalho, mais de 13 mil táxis já foram fiscalizados pela Operação TX. A intenção da Polícia Militar é reforçar esse atendimento, considerado insuficiente para atender a demanda, com a alocação de 10 viaturas e 80 policiais, que fariam rondas das 23h às 6h em m ais de 60 pontos de bloqueio móvel.”A Polícia Militar tem tentado otimizar a máquina e não parar atividades diante da falta de recursos”, assegurou o coronel Carvalho, apontando o sucateamento de viaturas como um dos principais problemas. Para driblar a deficiência de pessoal, o comando da PM deverá deslocar para as rondas de rua, na próxima semana, 700 policiais dedicados a serviços administrativos. Informou ainda que mais 630 homens, em etapa final do curso de formação, irão reforçar o efetivo na Capital (400) e no Interior (230). Cursos de capacitação, redirecionamento de iniciativas bem-sucedidas, como Operações Paz nas Estradas e Anjo da Guarda, e descentralização dos batalhões são outras propostas para melhorar os serviços prestados à comunidade. Às voltas com os sucessivos crimes praticados contra motoristas de táxi, o diretor-geral de Polícia Civil anunciou a instalação da Delegacia de Homicídios, localizada na rua Gervásio Pires e que irá funcionar 24 horas. “A delegacia vai permitir o início do proc esso de investigação logo após o delito, fundamental diante do baixo índice de esclarecimento de crimes contra a vida”, comentou Manoel Carneiro. Apesar de reconhecer “êxitos” no combate à criminalidade, Carneiro revela que a maior carência da Polícia Civil, hoje, é efetivo. Dos cerca de 13 mil policiais civis do Estado, pouco mais de quatro mil exercem atividades de polícia judiciária.
Segundo ele, o reforço do quadro com a nomeação de 1,8 mil policiais civis concursados vai depender da disponibilidade financeira do Estado.A Secretaria de Defesa Social também divulgou uma medida que dará mais tranquilidade e segurança aos taxistas. Será instalada uma linha de voz conectando os sistemas de rádio-táxi com a Polícia Militar, agilizando o registro de ocorrências. A iniciativa foi negociada e contou com o apoio do vice-presidente do Sindicato dos Taxistas, Manoel Rodrigues, que pediu reforço nas blitze conjuntas entre Polícias Civil e Militar, com abordagem inclusive de passageiros do sexo feminino, “envolvidos e m grande número de assaltos”. Quanto aos assassinatos de taxistas, o general Adalberto Bueno afirmou que a maioria dos crimes praticados tem característica de vingança, já que os carros e pertences das vítimas são deixados pelos criminosos. (S F)