Gestão do Recife é debatida na AL em clima de sucessão

Em 16/03/1999 - 00:00
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A Assembléia Legislativa viveu na tarde de ontem um clima antecipado da sucessão municipal do Recife, onde correligionários e adversários do prefeito Roberto Magalhães se revezaram na Tribuna para defender e atacar a atual administração. A questão do Recife tomou quase toda a sessão, encerrada pelo deputado Romário Dias (PFL) às 17h25.O deputado João Paulo (PT) foi o primeiro orador a levantar a polêmica sobre a gestão Roberto Magalhães, no Pequeno Expediente, criticando o posicionamento do prefeito em relação ao Governo federal. “Ele, Magalhães, ataca o presidente Fernando Henrique Cardoso agora, mas esquece que já foi seu defensor nas campanhas de 96 e 98”, comparou.Mas foi no Grande Expediente que o debate esquentou. O líder do PSB, Pedro Eurico, abastecido de várias fotos sobre os alagamentos da cidade ocorridos na última sexta-feira, fez uma dura cobrança sobre as ações da prefeitura em relação aos problemas da cidade. “Avenidas transformaram-se em rios. O Recife viveu um caos com apenas algumas horas de chuvas. E quando chegar o inverno?”, questionou Eurico.O deputado apresentou ainda vários dados do orçamento municipal de 1998 que, segundo ele, comprovam o descaso do prefeito Roberto Magalhães com os problemas sociais do Recife. Citou que, enquanto a Prefeitura destinou apenas pouco mais de R$ 19 mil para programas de geração de emprego e renda, a área de propaganda foi aquinhoada com R$ 4,5 milhões.”A área de atividades governamentais recebeu R$ 1,5 milhão e as festas como os recifolias da vida foram beneficiadas com R$ 2 milhões. Já as obras de urbanização nos morros tiveram um corte 46,9% e as de urbanização de baixa renda uma redução de 85,35%. O prefeito prefere duplicar o orçamento de sua propaganda do que investir em melhorias para a população”, criticou.Eurico reforçou ainda as críticas dos deputados João Paulo e João Braga (PSDB) sobre a posição do prefeito frente ao governo Fernando Henrique Cardoso. “O prefeito agora ataca a Lei Kandir, o FEF e o Fundef, que provocou perdas de mais de R$ 100 mil hões para o Recife. Mas ele, na época deputado federal, votou a favor dessas medidas no Congresso”, denunciou.Coube ao deputado Romário Dias (PFL) defender o prefeito como último orador inscrito. O parlamentar, primeiramente, historiou a vida pública de Roberto Magalhães e reagiu contra as críticas dos adversários. “Graças ao trabalho e a dedicação do prefeito a cidade do Recife está construindo o seu futuro. Roberto Magalhães é um orgulho para Pernambuco”, disse o pefelista.Romário Dias relacionou várias obras realizadas pela gestão Roberto Magalhães, entre elas, o recapeamento de ruas, o bolsa escola e a futura construção da “Linha Verde”. Disse que as críticas eram injustas e que tinham o objetivo de antecipar a eleição do próximo ano.O deputado do PFL recebeu o apoio dos parlamentares João Negromonte (líder do PMDB) e Bruno Rodrigues (PPB) e Bruno Araújo (PSDB). “Vossa excelência está colocando as coisas nos seus devidos lugares”, comparou Negromonte. “Não é verdade que o prefeito não investiu na limpeza de canais e galerias”, rebateu Bruno Rodrigues.João Paulo reagiu, afirmando que o Bolsa Escola não atingiu sequer 1% das crianças em idade escolar, já que o Recife possui cerca de 235 mil crianças naquela condição e o programa só atendeu, no ano passado, apenas 730 pessoas, comparou. João Braga, por sua vez, avaliou que o problema dos alagamentos da última sexta-feira voltará a acontecer, porque, segundo ele, a Prefeitura não fez a manutenção sistemática de nenhum dos 67 canais e nem das galerias do Recife. Enquanto Antônio Moraes (PSB) considerou que a causa dos alagamentos seja as ocupações irregulares da cidade.Romário Dias ouviu atento as queixas da Oposição, mas classificou-as de “reação desesperada. As pesquisas indicam que o povo do Recife quer Roberto Magalhães governando por mais quatro anos. A população vem acompanhando o trabalho excelente do prefeito, apesar de todas as dificuldades de recursos, aprovando seus resultados”, previu otimista. (J P)