Ranilson critica submissão

Em 13/03/1999 - 00:00
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A política econômica do Governo federal. sintonizada com as diretrizes do Fundo Monetário Internacional, foi, ontem, duramente criticada pelo deputado Ranilson Ramos (PSB), através de pronunciamento em que fez análise comparativa pormenorizada da crise brasileira, reportando-se a comentários de conceituados especialistas internacionais.Segundo o parlamentar, as medidas de ajuste econômico adotadas pelo Governo FHC agravaram o já dramático quadro social do País. “Com este pacote para redução do orçamento dos ministérios, estamos sacrificando ainda mais a combalida saúde da população com cortes de R$ 999,4 milhões. O investimento por habitante/ano da saúde no Brasil, por exemplo, não passa de US$ 260, enquanto no Chile é de US$ 300; no Uruguai, US$ 440; e, Argentina, US$ 800″.”Na área da saúde, sem dúvida, nossa grande arma para enfrentar a economia globalizada, cortaram R$ 195 milhões. A questão não é só de valor, mais sim de prioridade. O sistema educacional brasileiro é considerado pela Unesco como sendo o 3 º pior do mundo, na frente apenas de Guiné Bissau e Bangladesh”, denunciou.Forma autoritária – Depois de fundamentar sua condenação à política governamental em especialistas como o economista Jeffrey Sachs (Universidade de Harvard), Rudinger Dornbusch (MIT), Paul Volcker (ex-presidente do Banco Central americano) e o megainvestidor global George Soros, Ranilson Ramos observou que “o acordo com o FMI foi elaborado e imposto rapidamente, de forma autoritária, sem nenhuma discussão com o Congresso Nacional e a sociedade, executando cortes essenciais na área social com enormes prejuízos para a população”.Estes cortes, no entendimento do parlamentar, irão tornar mais dramáticos os indicadores sociais do Brasil, que já em relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado em 1998, figurava com o “modesto 62º lugar na avaliação de qualidade de vida”.Pernambuco – As conseqüências dos ajustes para Pernambuco foram contabilizadas por Ranilson, ao registrar a diminuição de participação es tadual no Orçamento da União de 32,1% em relação à de 1998, “passando de R$ 449 milhões autorizados para R$ 305 milhões, comprometendo projetos como Suape e a BR 101″.”Na área social – prosseguiu –, suprimiram até recursos do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil na Zona da Mata, embora, tudo indica, felizmente recompostos graças aos protestos dos prefeitos e à pronta intervenção do governador Jarbas Vasconcelos”.Ele também citou como maiores prejuízos impostos a Pernambuco na área social os cortes nos programas Brasil Criança Cidadã (100%); Abrigos Crianças, Jovens e Idosos (100%); de manutenção de crianças até sete anos em creches (50%); e até no de distribuição de cestas básicas (50%). O parlamentar recebeu apartes de apoio dos deputados Jorge Gomes (PSB) e José Queiroz (líder do PDT). (H R)