Violência contra a mulher é tema de debate no Plenário da Alepe

Em 24/11/2016
-A A+

A Campanha Laço Branco, de combate à cultura do machismo, e a ONG Instituto Papai, que coordena a iniciativa, foram homenageadas no Grande Expediente Especial dessa quinta. Representantes da sociedade civil, governo e parlamentares debateram a necessidade de engajar os homens na luta pelo fim da violência conta as mulheres.

Para o coordenador do Instituto Papai, Sirley Vieira, para combater a desigualdade de gênero não basta que o homem seja somente contra a violência: é preciso questionar atitudes cotidianas tidas como naturais. “A primeira atuação do homem deve ser sobre si, se questionando, pensando sobre seus relacionamentos e sobre a forma como se relaciona com as mulheres. O segundo passo é: o que é que eu posso fazer para além da minha casa? Essas são atitudes que tem que feitas cotidianamente na reflexão pessoal, mas uma reflexão pessoal ativa, não é só você pensar, é você agir também”.

O pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Gênero e Masculinidade da Universidade Federal e Pernambuco, Jorge Lira, destacou a invisibilidade do tema, e lamentou que as agressões contra as mulheres só sejam percebidas quando chegam ao extremo de deixar marcas no corpo.

Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Assembleia, a deputada Simone Santana, do PSB, comemorou a iniciativa de convocar os homens. “A gente precisa tê-los do nosso lado e aí é muito importante trabalhar a reeducação desse homem e também as medidas punitivas.”

A Campanha Laço Branco começou a partir de um episódio trágico. Em 1989, um jovem de 25 anos invadiu uma sala de aula da Escola Politécnica de Montreal, no Canadá, e ordenou que somente as mulheres ficassem. Ele matou 14 alunas e depois cometeu suicídio. Justificou o ato alegando que não suportava a ideia de ver mulheres cursando engenharia, um curso tradicionalmente masculino.

A campanha surgiu no Canadá e acontece anualmente de 25 de novembro, Dia Internacional de Erradicação da Violência Contra a Mulher, e 6 de dezembro, data de aniversário do Massacre de Montreal. No Brasil, o evento começou em 1999 e é coordenada pela Rede de Homens pela Equidade de Gênero.