Sistema prisional e combate a facções criminosas pautam segundo dia de seminário sobre segurança

Em 02/09/2022
-A A+

O segundo dia do seminário da Assembleia Legislativa sobre temas ligados à segurança pública abordou  a gestão do sistema prisional em Pernambuco e o enfrentamento ao tráfico de drogas e ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro. Na tarde desta sexta, a palestra do secretário executivo de Ressocialização de Pernambuco (Seres), Cícero Rodrigues, trouxe a experiência do gestor à frente do sistema penitenciário estadual desde 2016.

Dados da série histórica de 2007 a 2019 ganharam destaque na apresentação. Dentre os números, o aumento de 113% da população carcerária em Pernambuco a partir de 2007, ano que marcou o início do Pacto pela Vida. Segundo Rodrigues, não só a Seres, mas o Judiciário e a Polícia Militar estão entre as instituições mais impactadas por essa estatística. Atualmente, existem cerca de 34 mil pessoas privadas de liberdade em Pernambuco, sendo 32% por envolvimento com o tráfico de drogas.

O estado está há seis anos sem uma rebelião. Servidor de carreira, Rodrigues atribui a estabilidade do sistema ao modelo de gestão de resultados baseado na Caravana Todos pela Seres: “A partir dessa ferramenta, a gente pode medir cada unidade prisional, ou seja, nós temos, nessa ferramenta de gestão dois planos, um que é um plano de ação específico, pra cada unidade prisional, e um plano padrão, e todas as unidades, ao seguirem esses planos, façam com que a gente possa ter uma gestão por resultados”.

O tenente-coronel Uirá Ferreira, comandante do Batalhão de Operações Especiais da PM do Rio de Janeiro, o Bope, falou em seguida, sobre a temática do narcotráfico e das facções criminosas. Segundo Ferreira, uma das maiores batalhas das forças de segurança do estado é o que ele chama de “guerra informacional”, caracterizada pela disseminação de notícias falsas para desestimular e desacreditar as ações policiais.

O comandante do Bope salientou as semelhanças entre a ação do tráfico e do crime organizado no Rio e em Pernambuco, e defendeu a troca de informações entre os estados. “A facção que opera hoje na região também de Pernambuco, em Ipojuca, é oriunda do Rio de Janeiro. Então, algumas ações como fechamento de comércio, barricadas, atear fogo em coletivos, mostram que são ações parecidas com a mesma facção que domina comunidades do Rio de Janeiro. Então, tem um paralelo sim”.

A iniciativa do Seminário da Alepe, com a participação de líderes policiais, servidores da área de segurança e autoridades foi elogiada pelo tenente-coronel. Ele lembra que a palestra dessa sexta nasceu de uma conversa com um promotor público, e da necessidade de levar ao conhecimento de juízes, desembargadores, legisladores e demais autoridades o quadro real da segurança pública, de modo a influenciar na tomada de decisões.

O Seminário “Contribuições do Poder Legislativo Estadual à Segurança Pública em Pernambuco”, coordenado pela Escola do Legislativo, foi encerrado nesta sexta, no Auditório da Assembleia, e contou com mais de 200 participantes. Confira mais informações

sobre o seminário no www.alepe.pe.gov.br