A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa recebeu, na tarde desta terça, o secretário estadual André Longo para a apresentação dos relatórios do 1º e do 2º quadrimestres referentes aos investimentos da pasta. Representantes do Conselho Estadual de Saúde e da Promotoria de Saúde do Ministério Público de Pernambuco participaram da reunião por videoconferência. André Longo detalhou os investimentos feitos nas mais de 60 unidades da rede estadual de saúde, lembrando que 2020 tem sido um ano atípico devido à pandemia do novo coronavírus.
De acordo com o secretário, Pernambuco tem se destacado no Nordeste por investir em saúde o maior percentual da Região, uma média de 16,8% nos dois primeiros quadrimestres, ou seja, 4,8% acima do que determina a legislação. A chegada da pandemia fez com que o Estado fizesse o maior esforço sanitário, logístico, de mobilização de equipamentos e de recursos humanos de sua história.
O secretário conta que foi necessário criar um gabinete de enfrentamento à doença composto por vários secretários e que, com isso, foi possível organizar procedimentos que permitiram montar mais de 100 leitos de UTI por dia nos 100 primeiros dias, interiorizar o atendimento, reforçar o quadro de profissionais da área e seguir com outras atividades que não podiam parar. Assim, foram realizadas campanhas de imunização, treinamentos de profissionais, ampliação da Central de Regulação de Leitos, além de modernização tecnológica do Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco, o Lacen, o que permitiu que o órgão fizesse mais de 80 mil testes entre março e agosto.
Como forma de agradecer aos profissionais de saúde pelo empenho na luta contra a Covid-19, o secretário apontou a progressão automática de mais de 18,5 mil profissionais dentro do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos.
Representando o Conselho Estadual de Saúde, Euclides Monteiro Neto destacou a importância da participação popular e do controle social nas ações do Executivo e parabenizou a pasta pelo empenho no combate à pandemia. A procuradora Helena Capela, da Promotoria de Saúde do MPPE, disse que é fundamental avaliar como o Estado investe os recursos destinados à Saúde. Segundo ela, num momento como este a atuação da autoridade sanitária é decisiva para o enfrentamento à doença e que foi possível perceber que os gestores da Saúde no Estado e municípios têm buscado diminuir as consequências da pandemia para a população. Helena destacou ainda que a Promotoria tem acompanhado de perto os investimentos que estão sendo feitos com o objetivo de que a assistência à população seja feita da melhor forma.
O deputado Antônio Fernando, do PSC, parabenizou o secretário André Longo e cobrou pressa na decisão em relação à vacina contra a doença. “Eu acho que a gente deveria, independentemente se houver a demora, comprar essa vacina, como está sendo feito pelo Estado do Paraná e também o Estado de São Paulo, até em termos de custo seria muito menos oneroso e talvez mais eficaz”. O parlamentar ainda sugeriu que parte dos equipamentos retirados dos hospitais de campanha desativados sejam destinados ao Hospital Regional Fernando Bezerra, de Petrolina.
O secretário André Longo explicou que os equipamentos utilizados nos hospitais de campanha continuam mobilizados para o caso de ocorrer uma segunda onda da doença, mas que eles serão distribuídos para os hospitais regionais. O gestor lembrou que o Governo tem colocado em prática o Plano Estadual de Convivência, que restabeleceu praticamente todas as atividades econômicas e sociais em Pernambuco. Para ele, com uma maior exposição da população era natural haver um aumento no número de casos, principalmente devido ao descumprimento das normas sanitárias por parte da população.
André Longo descartou a hipótese de uma segunda onda da pandemia estar em curso no Estado, mas mostrou-se preocupado com a ocupação dos leitos de UTI. “Nós não temos visto, do ponto de vista de casos graves, que tem uma segunda onda em curso, quando analisamos o cenário epidemiológico. Preocupa, sim, que haja uma maior ocupação dos leitos, que são destinados a casos de síndrome respiratória aguda grave”.
Em relação à vacina, o secretário esclareceu que as parcerias foram firmadas com Estados em que existem laboratórios especializados na produção e pesquisa de vacinas, mas que isso não significa prioridade para esses Estados num eventual Programa Nacional de Imunização. E destacou que, quando liberadas, as vacinas serão distribuídas de acordo com a ordem de prioridade de vulnerabilidade.
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