A ampliação dos atendimentos em pediatria foi destaque no relatório apresentado pela secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti. Ela fez a prestação de contas do primeiro quadrimestre do ano em audiência pública da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, nesta quarta. Para atender a alta incidência de doenças respiratórias em crianças foram abertos 228 novos leitos. A gestora também detalhou reforço na estrutura das UPAs, que ganharam 48 vagas de assistência ventilatória e novos profissionais como médicos, fisioterapeutas e enfermeiros.
“Nesse surto desse ano da pediatria, a gente observa é que as crianças com menos de seis meses foram as mais atingidas, o que gera uma demanda ainda mais especializada, que a gente sabe que mesmo dentre os pediatras poucos são capacitados para atender crianças menores. Então, assim, só pra que a gente entenda que esse ano a gente teve a imprevisibilidade nessa sazonalidade.”
No relatório consta, ainda, a realização de 30 mil cirurgias eletivas, 6,2% a mais que no mesmo período do ano passado, parte delas em parceria com as prefeituras. Zilda Cavalcanti apontou dificuldades para firmar convênio com clínicas de hemodiálise e o tratamento de pacientes renais teve incremento de apenas 4% no período. Já para ampliar a cobertura vacinal, foram listadas atividades em escolas, busca ativa e parceria com os municípios. Segundo o relatório, o investimento em saúde foi de um bilhão e setecentos milhões de reais, valor que representa 13,81% da receita de impostos do Estado.
Representantes da sociedade civil presentes na audiência questionaram sobre a falta de antirretrovirais para pacientes com HIV. O secretário executivo Bruno Ishigami citou providências para melhorar a alimentação do sistema de dispensação de medicamentos que compartilha dados com o Ministério da Saúde para tentar evitar o problema. Sobre o reforço no atendimento da tuberculose, relatou que o Estado deve firmar um termo de cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde e está buscando também outros parceiros, principalmente nas unidades prisionais onde a prevalência da tuberculose é 60 vezes maior que na população em geral.
A deputada Socorro Pimentel, do União, destacou avanços na interiorização da saúde. Simone Santana, do PSB, considerou tempestivas as ações de enfrentamento às doenças virais e sugeriu que a secretaria apresente metas para os próximos relatórios. “Quanto que seria previsível das variadas cirurgias, tanto em relação a consultas, todos os procedimentos, eu acho que era importante a gente ter essa meta, porque está aumentando o número e a gente não sabe quanto isso está, realmente, dentro da nossa capacidade.”
Ao fim da apresentação, Zilda Cavalcanti rebateu a informação que circulou entre alguns deputados estaduais e repercutiu em veículos de imprensa de que teria havido redução de um bilhão e 200 milhões de reais na assistência hospitalar no ano passado. Segundo ela, o que houve foi apenas uma realocação dos gastos com folha de pagamento dentro da planilha da secretaria.
A gestora reforçou, ainda, que os investimentos em saúde em 2023 receberam incremento de 175 milhões de reais em relação a 2022. A audiência pública foi presidida pelo deputado Adalto Santos, do PP.
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