Está em articulação na Alepe a formação de um grupo de parlamentares para dialogar com os caminhoneiros. A proposta foi um dos assuntos discutidos na Reunião Plenária dessa terça, em que foi debatida a responsabilidade dos governos em relação à crise dos combustíveis. No nono dia de greve dos caminhoneiros, os deputados criticaram a postura do governo Temer e do Governo de Pernambuco diante da situação de desabastecimento. A manipulação política do movimento também foi denunciada.
O primeiro deputado a comentar a greve foi Waldemar Borges, do PSB. Ele afirmou que existe um uso oportunista do momento grave que o Brasil enfrenta: “Querem se aproveitar de maneira irresponsável e criminosa de um movimento que começou com muita legitimidade, com nosso apoio, apoio de todos os brasileiros. Mas que agora precisa provocar uma reação nacional também dos democratas, de todos, para que não seja instrumentalizado por parte alguma, para nenhum tipo de rumo que possa significar a ruptura do regime democrático.”
Edilson Silva, do PSOL, concordou que muitos atores políticos estão instrumentalizando o movimento grevista. Teresa Leitão, do PT, lamentou as manifestações nas estradas pedindo intervenção militar: “Isso é um preâmbulo de uma situação que precisa ser contestada. Precisa ser contestada, precisa ser enfrentada porque não há solução para a crise que nós estamos passando fora da política, fora da democracia.”
Em aparte, Romário Dias, do PSD, comparou a situação do Brasil com a da Venezuela, afirmando que os países estão numa espécie de disputa para ver quem menos gosta da população. Já Sílvio Costa Filho, do PRB, questionou o governo Paulo Câmara pela promessa de restabelecer 100% da frota de ônibus nas ruas o que, segundo o deputado, não se concretizou na última segunda.
Aluísio Lessa, do PSB, sugeriu que um grupo de deputados abra um canal de diálogo com os caminhoneiros: “Troquei umas ideias com o deputado Edilson Silva e com nosso líder Isaltino, para a gente fazer uma comissão de deputados para abrir um canal de conversa com os manifestantes, os caminhoneiros. A partir de amanhã está previsto também o início da paralisação dos petroleiros, e aí deixa de chegar o combustível nos destinos.”
Priscila Krause, do Democratas, cobrou do Governo do Estado medidas para desonerar o contribuinte, incluindo a redução do ICMS sobre o diesel: “O fato é que, do que o caminhoneiro autônomo, por exemplo, paga na bomba, durante o governo Paulo Câmara, no litro do diesel, subiu de 44 centavos para 61 centavos. Porque se aumentou a alíquota do diesel, passou de 17 para 18%.”
Em aparte, Rodrigo Novaes, do PSD, destacou que os impostos questionados pelos caminhoneiros são todos federais, citando o PIS/Cofins e a Cide. Para o parlamentar, o governo Temer é o culpado pela crise dos combustíveis.
O líder do Governo, Isaltino Nascimento, do PSB, rebateu o argumento de que reduzir a alíquota do ICMS ajudaria a resolver o impasse com os manifestantes: “Nós somos um estado em que a arrecadação é diminuta, e o quanto é importante nós termos tributos aqui relativos ao imposto sobre mercadorias e serviços. Porque é muito simplório baixar o ICMS, reduzir o tributo. Maravilha! Vamos manter os hospitais como? Como é que nós vamos garantir que as unidades de educação, também, as escolas nossas, o pagamento de profissionais?”
A greve dos caminhoneiros também pautou o pronunciamento de Antônio Moraes, do PP, que lembrou o transtorno causado pelos bloqueios nas estradas, e os prejuízos do desabastecimento de combustível para os setores produtivos do Estado.
Na Reunião dessa terça, o deputado Júlio Cavalcanti, do PTB, prestou homenagem ao empresário Livan Aquino dos Santos, conhecido como “Dedinho do Posto”, que faleceu em Buíque, Agreste Central, no último final de semana.
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