Rejeitos da tragédia de Brumadinho podem chegar ao Rio São Francisco

Em 03/06/2019
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As consequências do rompimento da barragem 1 da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais, no mês de janeiro, podem chegar a Pernambuco. O alerta foi feito pelo pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, Neison Freire, em audiência pública da Frente Parlamentar em Defesa do Rio São Francisco, realizada nessa segunda, na Câmara Municipal de Petrolina, no Sertão.

O encontro discutiu os riscos de contaminação do Velho Chico pela pluma de rejeitos causada pela tragédia. Freire apresentou estudo da Fundaj sobre o tema, mostrando que o material contaminante chegou à Represa de Três Marias em março, através do Rio Paraopeba, e está se diluindo em direção a Pernambuco. Ainda não há dados sobre quando e com que intensidade as substâncias tóxicas vão atingir o estado. O quadro atual, porém, é preocupante, segundo o especialista. “Enquanto essa lama não for retirada, com destinação adequada e limpeza dessas áreas, o risco de contaminação permanece constante e cada vez mais próximo das nossas cidades em Pernambuco. Este é um fenômeno dinâmico e o que faz esse dinamismo, do ponto de vista geográfico, é o Rio São Francisco.”

Freire ainda observou que o cenário pode trazer prejuízos para a fruticultura irrigada da região de Petrolina e Juazeiro. Mais de 16 milhões de pessoas dependem dessa e de outras atividades ligadas ao rio, segundo o vereador petrolinense Ronaldo Cancão, do PTB. O parlamentar viajou a Minas Gerais, em março, para avaliar a situação dos rios mineiros. A vereadora Cristina Costa, do PT, também participou da visita técnica e lamentou a destruição do meio ambiente. “Gravíssimo o que aconteceu lá em Brumadinho. O que mais me chamou atenção foi o comprometimento dos rios de Minas Gerais. Os vários afluentes que desaguam no Rio São Francisco estão comprometidos, como o Rio Paraopeba. Observamos a grande quantidade de resíduos que aconteceu com o rompimento da barragem. Comprometeu a vida humana daquela, comprometeu os nossos afluentes.”

Eles também foram às Câmaras de Vereadores de Brumadinho, de Três Marias e de Belo Horizonte para sensibilizar o poder público mineiro sobre o assunto. Em Pernambuco, os reflexos do desastre podem ir muito além do esperado, na avaliação de José Loyo, presidente do Distrito de Irrigação Nilo Coelho. A empresa tem feito reuniões semanais para monitorar o caso.

O representante do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, Julianeli Lima, frisou que a contaminação do Velho Chico é uma realidade, pois a pluma de rejeitos já está na calha do rio. Opinião que também foi reforçada pelo coordenador-geral da Frente Parlamentar, deputado Lucas Ramos, do PSB. “Se essa pluma de rejeitos de minério já atingiu a barragem de Três Marias, evidentemente que a própria correnteza do rio e a vida aquática já levaram esses rejeitos de minério para o leito do Velho Chico. Então, a nossa preocupação é saber quais as ações que estão sendo tomadas pelos Poderes Públicos federais, estaduais e municipais desses municípios localizados ao longo do leito do Rio São Francisco, bem como os Estados que compõem a Bacia Hidrográfica do São Francisco.”

A partir de agora, a Frente Parlamentar deve reunir as informações coletadas nesta e em outras duas audiências públicas para elaborar um relatório. O documento vai ser compartilhado com os Poderes Legislativos e Executivos da Região Nordeste.