Trinta e dois deputados votaram a favor da proposta do Governo que dá reajuste a policiais militares e bombeiros do Estado. O texto prevê aumento dividido em três parcelas, de maio de 2017 até dezembro de 2018, com índice que varia de 21 a 40%, de acordo com a patente militar. Antes da votação em primeiro turno, o debate foi acirrado. Deputados da Oposição fizeram duras críticas à forma como a matéria foi apreciada. O líder oposicionista, Sílvio Costa Filho, do PRB, orientou a bancada a se retirar do Plenário: “A Oposição não vai legitimar um projeto que tem erros na origem, tem erros! Nós não podemos compactuar com isso. Então, seu presidente, com todo o respeito a vossa excelência, a Oposição vai se retirar do Plenário, pela ilegitimidade da matéria que está sendo apreciada hoje, que não se sustenta do ponto de vista de uma ação judicial.”
Pela base governista, Romário Dias, do PSD, elogiou a forma como o presidente da Alepe, Guilherme Uchoa, do PDT, conduziu a Reunião Plenária. Antes da votação da ordem do dia, Uchoa autorizou que os parlamentares do Governo e da Oposição apresentassem argumentos. Ele rebateu o questionamento dos oposicionistas de que houve desrespeito aos prazos de tramitação: “Não vejo nenhum prejuízo aos prazos assegurados nesse projeto de remuneração da Polícia Militar, então já respondi e vou colocar agora em votação. A Oposição registra a sua irresignação e toma as medidas que forem necessárias.”
Priscila Krause, do Democratas, apontou interferência do Governo no funcionamento da Assembleia, afirmando que a Casa fez a escolha política de negar o diálogo. Para o deputado Edilson Silva, do Psol, o Poder Legislativo tem um problema de autoafirmação em relação ao Poder Executivo. Na opinião de Joel da Harpa, do PTN, a vontade da administração estadual é calar a tropa. O discurso foi aplaudido pelos PMs que lotaram as galerias do Plenário: “É prisão, é ameaça de exclusão, é proibição do companheiro sair de casa para ir pro movimento na rua, movimento democrático. É ameaça de policial entrar em inquérito policial militar.”
Teresa Leitão, do PT, ressaltou a importância do Regimento Interno da Casa para nortear a atuação parlamentar, e que o documento não pode ser interpretado de acordo com a ocasião. Já o deputado Rodrigo Novaes, do PSD, afirmou que o mais importante nesse debate é o interesse do povo: “Não fiquem olhando para os deputados da Oposição imaginando que eles são os defensores da categoria nesta Casa. Todos nós defendemos a Polícia Militar. E todos nós defendemos a sociedade pernambucana. Mas compreendemos também o momento de crise que estamos vivendo.”
Vice-líder do Governo, Novaes acrescentou que os militares do Estado vão estar entre os mais bem remunerados do Nordeste até o fim de 2018.
Nessa quarta, o reajuste será votado em segundo turno, e a previsão, segundo o líder do Governo, Isaltino Nascimento, do PSB, é de que o governador sancione o projeto já na próxima sexta.
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