A discussão sobre o projeto de reajuste dos policiais e bombeiros militares rendeu longo debate sobre segurança pública entre Governo e Oposição na Reunião Plenária dessa segunda. O deputado Joel da Harpa, do PTN, cobrou do Poder Executivo o envio da proposta, que havia sido prometido para o início das atividades legislativas. Mas, até o momento dos pronunciamentos, o projeto ainda não havia entrado no sistema da Alepe. O parlamentar criticou a ausência de diálogo entre o Governo e a categoria. Ele anunciou que vai se reunir com as entidades representativas, e convocou os governistas a participarem da negociação. “Eu gostaria de dizer também que ficou muito feio quando, quinta-feira, essa casa foi esvaziada, e nós não tivemos a presença dos deputados aqui para debatermos. Eu acho que tudo se constrói em cima do debate. Enquanto o Governo do Estado está mantendo a intransigência de não debater, essa Casa não pode se furtar desse debate.”
Edilson Silva, do PSOL, acrescentou que os profissionais da categoria vêm sofrendo perseguições e ameaças por participarem de manifestações. Para ele, esse tipo de intimidação atenta contra a democracia e a cidadania. Já o líder da Oposição, Sílvio Costa Filho, do PRB, pediu ao Governo que trate a questão com responsabilidade. Ele destacou o aumento da violência e cobrou que o governador venha a público para esclarecer a situação.
A posição também foi defendida pelo deputado governista Álvaro Porto, do PSD. “O Governo tem sempre sentado em cima de seus erros, como se pudesse escondê-los, minimizá-los ou torná-los inofensivos. Para isso, é ágil: em construir discursos positivos, repletos de justificativas que vão desde a crise econômica e comparação com a realidade de outros estados.”
Priscila Krause, do Democratas, propôs ao Governo a instalação de um gabinete de crise. Para ela, é preciso admitir que estamos vivendo um momento de crise profunda na segurança pública.
O líder do Governo, Isaltino Nascimento, do PSB, destacou os esforços feitos nos últimos dois anos para atender a pauta da categoria. Ele lembrou o número recorde de promoções desde 2015, além da concessão de aumentos nos auxílios de transporte e alimentação. Sobre o projeto de reajuste, ele garantiu que seria entregue à Alepe ainda nessa segunda-feira, com impacto de mais de 300 milhões de reais, que vão ser retirados de outras áreas. “Entendemos que o Governo vem cumprindo com seu compromisso, e certamente, ao chegar o projeto aqui, nós teremos oportunidade de fazer uma análise mais amiúde do seu conteúdo e mostrar que vai trazer ganhos e conquistas para os profissionais da Polícia Militar e também do Corpo de Bombeiros.”
Waldemar Borges, também do PSB, afirmou que o Governo nunca se negou a dialogar com os profissionais. Já Rodrigo Novaes, do PSD, acusou Joel da Harpa de politizar o debate com vista às eleições de 2018. Mas, Sílvio Costa Filho defendeu o colega, afirmando que se trata um representante da categoria. Joel da Harpa rebateu as críticas e disse não estar preocupado com eleições, mas sim, em defender os interesses dos policiais militares. Sobre as políticas de segurança pública do Governo, Lucas Ramos, do PSB, reafirmou o compromisso e a assiduidade do governador Paulo Câmara em relação ao tema.
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