Pernambuco celebra bicentenário da Revolução de 1817

Em 03/03/2017
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No ano de 1817, profissionais liberais, proprietários de terras, comerciantes, religiosos e militares, inspirados nos ideais da Revolução Francesa e da Independência dos Estados Unidos, proclamaram uma república em Pernambuco, na Paraíba e no Rio Grande do Norte. A população estava insatisfeita com os altos impostos, a crise econômica e a falta de liberdade imposta pela Coroa portuguesa, que havia fugido de Lisboa e se instalado no Rio de Janeiro em mil oitocentos e oito.

O movimento, conhecido como Revolução de 1817, durou apenas setenta e quatro dias, foi brutalmente reprimido, mas marcou para sempre a história de Pernambuco, e continua presente no dia a dia do Estado. Ele está em ruas como Cruz Cabugá, Domingos José Martins e Padre João Ribeiro, nomeadas em homenagem aos líderes do movimento. Está na bandeira do Estado, criada pelos revolucionários. Está em obras de arte que compõem a paisagem de Pernambuco, como os murais de Cícero Dias, na Casa da Cultura, e de Corbiniano Lins, no bairro de Santo Amaro, ambos no Centro do Recife. E é celebrado desde 2008 na Data Magna do Estado, seis de março, dia do início da revolta.

Duzentos anos depois, uma série de eventos vai lembrar a história da Revolução. O Museu da Cidade do Recife, no Forte das Cinco Pontas, no bairro de São José, inaugura no dia doze de março uma exposição sobre o tema em parceria com o Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. O alvo principal são os estudantes, mas a mostra é destinada a todos os públicos, como explica a diretora do museu, Betânia Corrêa: 

O objetivo do museu é fazer uma exposição que dure um ano. É uma proposta pedagógica, que é trabalhar com estudantes e com o público geral sobre essa importante experiência revolucionária que aconteceu há duzentos anos aqui em Pernambuco. É uma exposição que vai conter objetos, fac-símiles de documentos, além de uma oficina onde a gente vai trabalhar a partir da bandeira de Pernambuco.

A diretora do museu lembra que a história de mil oitocentos e dezessete não vai ser contada apenas pelos objetos e documentos expostos, mas também pelo próprio Forte das Cinco Pontas, que foi um dos palcos da Revolução:

Cento e cinquenta homens revolucionários foram presos aqui, então é pensar que a gente está trabalhando, fazendo essa mostra dentro de um monumento que tem vivo nos muros essa memória e a gente homenageia essas pessoas.

A Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) também prepara uma série de lançamentos para celebrar e manter viva a memória da revolta. O principal deles é a reedição do livro História da Revolução de Pernambuco em Mil Oitocentos e Dezessete, escrito por Muniz Tavares e com notas de Oliveira Lima, dois dos mais importantes historiadores de Pernambuco. Mas a editora também vai publicar textos novos sobre a insurreição. É o que afirma o presidente da Cepe, Ricardo Leitão:

Temos também livros de ensaios de historiadores pernambucanos contemporâneos abordando diversos aspectos da Revolução numa visão atual, e também um livro sobre a participação dos padres, principalmente dos carmelitas, na Revolução, escrito pelo carmelita frei Tito. Também estamos publicando um álbum em quadrinhos que conta a história da Revolução numa linguagem simples.

Para o integrante do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco José Luiz Mota Menezes, a preservação da memória de mil oitocentos e dezessete é fundamental, já que os valores defendidos há duzentos anos continuam atuais:

Se nós compararmos com a circunstância hojenão no sentido da sociedade daquela época, mas no sentido das necessidades de soluções que são dos nossos dias, a gente verifica que nós precisamos, primeiro, acentuar com bastante força as ideias da democracia; segundo, acentuar as ideias de igualdade, fraternidade e liberdade que estão contidas naqueles documentos que são legatários de 1817.”

Aqui na Assembleia Legislativa, uma Reunião Solene no dia seis de março vai lembrar o bicentenário do movimento.