Oposição e Governo divergem sobre equilíbrio das contas do Estado

Em 23/05/2017
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Levantamento realizado pela assessoria do gabinete de Edilson Silva, do PSOL, aponta que o Governo do Estado teria anulado cerca de dois bilhões e 880 milhões de reais de empenhos já executados, ou seja, despesas já processadas junto aos fornecedores. Para o deputado, há forte indício de que o Poder Executivo Estadual cometeu pedaladas fiscais no ano de 2015. Edilson pediu apuração do Tribunal de Contas sobre essas operações. “E esta Casa, como uma casa que fiscaliza, tem a obrigação de correr atrás disso, para verificar se essa burla não tem o objetivo de passar a perna na Lei de Responsabilidade Fiscal. Se não tem o objetivo de maquiar as finanças públicas para poder mostrar uma saúde financeira que na verdade não existe.”

O líder do Governo, Isaltino Nascimento, do PSB, rebateu a alegação de Edilson Silva de que pode ter havido pedalada fiscal. “Já foram todos os valores pagos aos credores que o Estado tinha, que não o fez no ano passado, já foram regiamente recebedores da dívida do Estado para com esses fornecedores. Portanto, não há nenhuma dúvida, primeiro porque não existe esse número apresentado aqui de dois bilhões e 880 milhões de empenhos não executados, até porque nós não trabalhamos com restos a pagar não processados.”

Já o líder oposicionista, deputado Sílvio Costa Filho, do PRB, demonstrou preocupação com prejuízos para o setor produtivo. Segundo o parlamentar, a média de restos a pagar aos fornecedores deu um salto na atual gestão. Ele afirma que empresas ficam até cinco meses sem receber, e acabam demitindo trabalhadores. Priscila Krause, do Democratas, afirmou que os contribuintes não merecem sofrer os efeitos de uma má administração dos recursos públicos. Ela defendeu que os dados apresentados por Edilson Silva sejam objeto de investigação. Romário Dias, do PSD, solicitou que o relatório seja encaminhado a todos os deputados para análise conjunta com os técnicos do Tribunal de Contas.

Ainda na reunião dessa terça, a nota pública em que o empresário pernambucano Jorge Petribú demonstra revolta com os casos de corrupção no País repercutiu em Plenário. O deputado Henrique Queiroz, do PR, fez o registro do desabafo do industrial após as delações de executivos da JBS. “Quando nós assistimos grupos usarem o dinheiro público como se fosse uma mera mercadoria de repasses e de trocas. Por isso, é que nós temos que tratar esse assunto nesta casa. Para que fique na história. Para dizer que os homens que lutaram e suaram na vida para vencer, eles precisam ter aqui a escrita para a História de Pernambuco.”

Vários parlamentares afirmaram que o empresário expressa o sentimento do povo pernambucano. Ricardo Costa, do PMDB, Romário Dias, do PSD, Terezinha Nunes, do PSDB, e Zé Maurício, do PP, elogiaram o posicionamento de Jorge Petribú.