Novos modelos de negócios unem empreendedorismo e consciência social em Pernambuco

Em 07/12/2016
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Pernambuco tem a capital mais empreendedora do Nordeste. É o que aponta o Índice de Cidades Empreendedoras 2016, estudo realizado pela organização Endeavor que avalia o ambiente de negócios nos 32 municípios brasileiros com mais empresas em crescimento. Inseridos nesse mercado, estão os chamados negócios sociais, iniciativas que combinam a consciência da filantropia com o dinamismo dos empreendimentos tradicionais. São empresas que têm como missão solucionar problemas e deficiências da sociedade, e se caracterizam por serem autossustentáveis financeiramente.

O consultor do Sebrae em Pernambuco, Valdir Cavalcanti, explica o funcionamento desse mercado. “Por exemplo, um curso de inglês, que custa um valor bem elevado. Pessoas que fazem parte de uma comunidade gostariam muito de fazer parte de um curso desses, mas não têm condição financeira. Então, esse negócio vai atender a essa comunidade. Ele vai ter, sim, um lucro, mas é uma margem bem inferior.”

Seja na oferta de serviços ou de produtos, um negócio social busca causar impacto socioambiental positivo. Foi com o objetivo de dar suporte a esses empreendedores do bem que surgiu o Porto Social. Inspirado no Porto Digital, um dos principais parques tecnológicos do Brasil com sede no Recife, o Porto Social atua como uma incubadora de projetos, além de orientar e capacitar os participantes para ampliar as áreas de atuação e transformação comunitária. De acordo com o diretor educacional da entidade, Marco Polo, a capital pernambucana tem tudo para se tornar referência no assunto. “A gente tem visto um interesse muito grande de ser montado em outras cidades, outros estados, esse modelo do Porto. É por meio desse modelo que a gente vai estar mudando a cabeça do empreendedor social, que precisa entender que não tem como você fazer o bem de forma errada.”

Um dos projetos incubados no Porto Social é o Pazear, que incentiva a cidadania através do esporte, cultura e educação para crianças e adolescentes do bairro de Rio Doce, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife. Para a diretora do Pazear, Karina Pimentel, a iniciativa ainda tem muito a crescer. “Como a gente está vivendo esse novo momento, essa nova visão de negócio social, para a gente é até privilégio estar engatinhando. Até na nossa própria missão, porque o projeto foi criado para resolver um problema social, e o maior produto que a gente acaba oferecendo é essa cidadania.”

Apesar de estar em crescimento no Brasil, esse formato de negócios ainda não tem uma política voltada para si. Na lei brasileira, nenhum dispositivo caracteriza uma empresa como negócio social e diferente de outros países, como os Estados Unidos, aqui não há uma tributação diferenciada para empreendimentos como a BeOne Tech. A startup desenvolve equipamentos médicos para tratar doenças através da fototerapia, método que utiliza frequências de luz para tratar feridas de difícil cicatrização. Um dos coordenadores da entidade, Caio Guimarães, explica como é a captação de orçamento. “A gente está planejando, assim que terminar os testes dentro do Agamenon Magalhães, aqui no Recife, ir para São Paulo. Na primeira etapa dos testes clínicos, aqui, a gente levantou financiamento através do crowdfunding. E para essa segunda etapa, estamos iniciando agora uma primeira rodada de investimento. E todo lucro é reinvestido dentro da empresa.”

Uma vez por ano, o Porto Social, no Recife, seleciona 50 negócios sociais para participar de atividades de capacitação. Iniciativas que servem como exemplo de uma nova forma de seguir carreira com a consciência da necessidade de mudar o mundo e transformar vidas. Um ganho que não se ganha só, mas todo mundo junto.