Municípios e produtores cobram ajuda para combater mosca-de-estábulo

Em 29/09/2021
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O combate à infestação de mosca-de-estábulo não deve ter apenas fiscalização, mas também auxílio para que produtores agrícolas e aviários possam se adequar às regras sanitárias. Essa foi a principal cobrança apresentada por representantes dos municípios mais afetados pela praga, em reunião presencial promovida pela Comissão de Administração Pública da Alepe, nesta terça.

A infestação por mosca-de-estábulo afeta principalmente cavalos e bois, e pode ser provocada por irregularidades na utilização da chamada “cama de frango” ou “cama de galinha – uma mistura de palha e esterco de aviários, utilizada como fertilizante em culturas de inhame, cará e banana.

Técnicos da fiscalização agropecuária do Governo do Estado apontam que o manejo correto da cama de frango é o que pode evitar infestação com a mosca de estábulo, praga que vem causando perdas de peso e até mortes para o gado, especialmente nos municípios de Barra de Guabiraba, Bonito, Gravatá, Amaraji e Cortês, entre o Agreste e a Mata Sul.

O diretor de Defesa e Inspeção Animal da Adagro, a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado, Fernando Miranda, informou que uma portaria do órgão traz todas as informações de como deve ser feito o manejo corretamente. Para o  combate à praga, Miranda informou que a fiscalização será reforçada.  “Nós estamos agora intensificando a fiscalização porque a infestação está muito forte este ano. Então, estamos intensificando todo o processo de fiscalização e botando a legislação em prática. É duro, o pessoal acha ruim, mas é o que tem quer ser feito”.

Com as perdas apontadas por agricultores que têm visto os animais sofrerem com os ataques das moscas e, junto a isso, o aumento dos custos da produção, os municípios e pecuaristas cobram também uma ajuda do Governo do Estado, como explicou o vice-prefeito de Barra de Guabiraba, Eugênio Filho, que é engenheiro agrônomo e produtor rural. “Esperamos que o Governo do Estado nos ajude nessa solução, porque muito se refere  aos cursos financeiros do plantio. Hoje temos vários agricultores com dificuldades, inclusive até de colheita, porque não está conseguindo pagar o que se gastou, e ainda mais essa situação da mosca que vem prejudicando bastante, tanto agricultores como pecuaristas”.

O deputado Antônio Moraes, do PP, que coordenou a reunião da Comissão de Administração Pública, afirmou que não se pretende proibir a cama de frango, mas estimular o uso adequado. Ele sugeriu o estímulo a pesquisas científicas sobre a praga, envolvendo a Universidade Federal Rural de Pernambuco. E destacou que o objetivo do debate desta terça foi buscar uma solução que não prejudique ainda mais o setor produtivo. “O que na verdade a gente quer aqui é encontrar uma alternativa que não vá criar dificuldade para nenhum setor produtivo de Pernambuco. Mas é possível . Em outras regiões, em outros estados do Brasil, a gente já teve esse problema e foi controlado.”

Antônio Moraes sugeriu ainda outras opções para o problema da mão de obra envolvida na produção, como o incentivo para que beneficiários do programa Chapéu de Palha executem esse trabalho.