A mulher representa a maioria da população e do eleitorado no Brasil, mas ainda é minoria nos espaços de poder. Quase 52% dos brasileiros são mulheres, segundo dados do IBGE, de 2015. Nas urnas, elas também estão em vantagem. O eleitorado feminino foi maior que o masculino em todos os estados nas Eleições Municipais de 2016. A Justiça Eleitoral registra, ao todo, mais de 75 milhões de mulheres cadastradas – 6,4 milhões a mais que os homens.
Esse predomínio, porém, não é proporcional à representatividade das cidadãs na política. Uma das razões é a competição desigual entre os gêneros, na opinião da secretária estadual da mulher de Pernambuco, Sílvia Cordeiro. “As mulheres não têm aquelas condições objetivas de concorrer em iguais condições com os homens. A elas é dado menos tempo na televisão, no guia eleitoral. Menos propaganda eleitoral. Menos espaços nas direções partidárias. Agora que está revertendo, mas muito lento ainda. A política, como ela é estruturada, em termos da vida partidária, é hegemonizada pelo masculino.”
Na mesma linha, a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alepe, deputada Simone Santana, do PSB, critica o modelo eleitoral. “Nós temos 35 partidos. Só quatro são presididos por mulheres. Então, o próprio sistema político já restringe a participação feminina. A gente tem o sistema de cotas, desde a eleição de 2010, em que 30% dos candidatos devem ser femininos. Mas o que a gente percebe é que os partidos agem só pra cumprir a uma lei. Não há um incentivo realmente para que essas mulheres sejam competitivas e consigam chegar lá.”
Além desses aspectos, a questão cultural também desfavorece o segmento, de acordo com Mônica Silva, vereadora do PSL, em Lajedo, no Agreste Meridional. “Eu acredito que ainda existe uma cultura muito forte de que a mulher foi criada para a vida doméstica. Ela não foi criada pra vida pública. Ela não foi criada pra assumir o poder. Ela não foi criada para assumir profissões, do ponto de vista cultural, machistas. Os homens, os vereadores, não aceitam dividir esse espaço com a gente.”
O universo político, de fato, é controlado por eles. Na Câmara dos Deputados, a bancada feminina conta com 54 parlamentares em exercício, pouco mais de 10% do total. No Senado, dentre 81 senadores, 13 são mulheres. Na Alepe, são sete as deputadas estaduais, dentre 49 representantes do povo.
Débora Almeida, prefeita de São Bento do Una, no Agreste Central, destacou em seminário realizado sobre o tema, na Assembleia, neste mês, que só 27 das 184 prefeituras de Pernambuco são comandadas por gestoras. Esse contraste vai além dos números e passa pela qualidade do serviço entregue ao cidadão.
É o que acredita Rossana Ferreira, vereadora do PSD, em Toritama, no Agreste Setentrional. “Eu acho que as mulheres são mais verdadeiras, são mais transparentes, têm maior responsabilidade. E fazem o trabalho com amor. Essa é a diferença entre a política feminina e, muitas vezes, o descompromisso do machismo.”
O processo de mudança da atual política, centrada no homem, depende de um esforço conjunto da população feminina, segundo a deputada Roberta Arraes, do PSB. “A gente tem uma representatividade pequena hoje, em nível de Brasil, e eu tenho certeza que vamos avançar muito mais. Mas só avançamos se ficarmos juntas, unidas, para que a gente possa ter uma representatividade maior amanhã no nosso País.”
A partir de março de 2018, deve ser implementado na Alepe o projeto de resolução Mulheres na Tribuna – Adalgisa Cavalcanti, de autoria da deputada Simone Santana. O objetivo da iniciativa é contribuir para o engajamento e a formação política de lideranças femininas no estado. Segundo Simone, 25 mulheres devem visitar a Alepe, uma vez por mês, e assistir palestras, audiências públicas, reuniões de comissões temáticas e demais expedientes públicos. Elas vão ter ainda a oportunidade de discursar na tribuna.
COMO CHEGAR