Mulheres que atuam na segurança pública são homenageadas na Alepe

Em 19/03/2026
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Uma homenagem às mulheres que atuam na segurança pública em Pernambuco foi realizada em um Grande Expediente Especial na Alepe, nesta quinta. A solicitação foi do deputado Joel da Harpa, do PL, que destacou a importância das profissionais, que além de se arriscarem diariamente para proteger a população, ainda têm enfrentado o machismo com bravura. Antes mesmo de enfrentar o crime, vocês enfrentam o preconceito, antes de serem reconhecidas, muitas vezes foram desacreditadas, antes de serem respeitadas, tiveram que provar todos os dias que eram capazes. E provaram com competência, com disciplina e coragem. E hoje, ninguém pode negar: vocês não apenas ocupam espaço na segurança pública, mas são essenciais para ela.”

Abrindo as falas das homenageadas, a perita papiloscopista Pollyana da Silva Marinho relembrou a própria trajetória e pontuou situações machistas cotidianas que enfrenta, tanto no trabalho, quanto em casa. Nesse sentido, a escrivã de Polícia Civil, Conceição Maria de Souza, ressaltou a força das mulheres. Que esse momento ecoe além dessas paredes, que ele alcance cada mulher que mesmo sem aplausos, segue firme porque ser mulher na vida e na segurança, é um ato diário de bravura.”

Delegada da Polícia Federal, Carla Amaral, destacou o estigma enfrentado pelas mulheres, lembrando que já ouviu, por exemplo, não ter “cara de delegada”. Por outro lado, salientou avanços recentes, com mais mulheres em cargos de liderança. Estamos ali para mostrar que o espaço existe e podemos ocupar. Nós lidamos com os fatos da vida, que envolvem famílias, pessoas, uma comunidade que há mulheres, mães, filhas e avós. Então, estamos ali tendo um outro olhar, um outro sentir.”

Essa fala foi corroborada pela major Grace Kelly, subcomandante do grupo marítimo do Corpo de Bombeiros. Ela disse que a dupla jornada feminina contribui para uma atuação mais sensível no acolhimento na segurança pública. A gente vê a importância desse olhar diferenciado, essa perspectiva de formulação de políticas que sejam mais democráticas, que atendam a todos. Não somos melhores, somos apenas representantes da sociedade que tem mais um pouco dessa visão.

Tenente-Coronel da Polícia Militar, Lúcia Helena saudou as veteranas, lembrando que apenas em 1983 as mulheres passaram a integrar a corporação. A policial comentou a crescente da violência contra mulher, citando o caso ocorrido nesta semana no bairro de Espinheiro, no Recife. Porque hoje tantos homens não admitem uma mulher que nem quer mais eles e matam? Viram o que aconteceu ontem, repercussão nacional. O camarada deu vinte tiros na porta da mulher. É muito triste o que está acontecendo com as mulheres na nossa sociedade. A gente precisa se apoiar mais, ter mais sororidade.”

A representante da Polícia Rodoviária Federal, Priscila Villanueva, fez um resumo histórico falando sobre as conquistas das mulheres no último século. Ela citou, por exemplo, voto, divórcio, independência, trabalho e casamento homoafetivo. Também pediu justiça pelas mulheres violentadas diariamente no Brasil. A nossa união é extremamente necessária e urgente e precisamos fortalecê-la. Esse ambiente com policiais de todas as forças é extremamente importante, porque nós sabemos o que passamos, nós sabemos o que é ser mulher todos os dias e a gente não quer viver mais com medo.”