A crise do setor da cana-de-açúcar em Pernambuco foi debatida em audiência pública da Comissão de Agricultura da Alepe, nesta segunda. Representantes de usinas, fornecedores e trabalhadores rurais defenderam medidas urgentes de socorro em virtude de um cenário que combina queda de preços, crescimento dos custos de produção, fatores do clima e o aumento das tarifas de importação nos Estados Unidos. Renato Cunha, do Sindicato da Indústria do Açúcar no Estado de Pernambuco, chamou atenção para um outro problema: o avanço do etanol de milho no Brasil, que conta com incentivos em estados como Bahia e Maranhão.
“O milho é segurança alimentar, é segurança animal, e esse milho está fazendo hoje 10 bilhões de litros no Centro-Sul do país. Sem falar que eles usam, por exemplo, madeira – não se sabe a origem da madeira que eles usam – para fazer energia, que aqui a gente faz tão somente oriunda do bagaço da cana.”
O incentivo para a produção local de álcool anidro, para ser usado na mistura com a gasolina, foi uma das medidas defendidas por Renato Cunha. O presidente do Sindicato dos Cultivadores de Cana-de-Açúcar de Pernambuco, Gerson Carneiro Leão, relatou o cenário de dificuldade financeira enfrentada pela categoria, com preço muito baixo da tonelada da cana. “Nós vamos receber 117 reais. O CCT, que é a despesa de corte, transporte e enchimento, vai para 90 reais. Quer dizer: fica muito pouco para o fornecedor pagar as dívidas. É a hora de ir à governadora e ao presidente Lula, porque a situação é muito séria em Pernambuco.”
O Estado chegou a produzir 26 toneladas durante a safra recorde do Nordeste entre os anos de 1986 e 1987, com 36 usinas em operação. Os dados foram trazidos pelo cofundador da União dos Produtores de Cana do Nordeste, Gregório Maranhão. Ele estima que a safra atual atingirá, no máximo, 14 toneladas, com apenas 13 usinas ativas. O retorno de subsídios ao setor também foi defendido como forma de preservar a relevância do segmento pelo diretor-presidente da Federação da Agricultura do Estado de Pernambuco, Pio Guerra. Já para o presidente do Grupo EQM, Eduardo Monteiro, a sobrevivência de dezenas de municípios da Zona da Mata depende de evitar o colapso da atividade.
Para o presidente da Comissão de Agricultura, Luciano Duque, do Solidariedade, os pedidos apresentados na audiência são para proteger um setor que mantém a economia viva em boa parte do estado. O deputado Antônio Moraes, do PP, que pediu a audiência, informou que um documento será entregue por uma comissão de parlamentares ao presidente Lula. As propostas também serão apresentadas à governadora Raquel Lyra.
“A gente vai solicitar ao Governo do Estado para que a gente apresente essas propostas. Algumas já foram feitas no passado, no governo Jarbas, e outras o pessoal do setor vai explicar. Bastante interessantes, não só para o setor, mas para o governo, porque é um ganha-ganha, ninguém perde.”
Também participaram da audiência representantes da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco, Sindicato dos Trabalhadores da Cana de Palmares e Secretaria de Agricultura do Estado. A mesa contou ainda com o deputado federal Coronel Meira, do PL de Pernambuco, e os deputados estaduais Nino de Enoque, do PL, France Hacker, do PSB, Henrique Queiroz Filho, do PP, e Doriel Barros, do PT.