Mil e quatrocentas toneladas de lixo domiciliar são recolhidas diariamente no Recife, segundo a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana, a Emlurb. Parte desses resíduos são descartados de forma irregular. A Operação Inverno 2018 da Prefeitura do Recife retirou dez mil toneladas de entulhos de canaletas, córregos e canais que integram o sistema de drenagem da Capital, nos quatro primeiros meses deste ano. Mas a tarefa de cuidar do lixo não pode ser somente do poder público. O representante da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis, Coocencipe, Anderson Luiz, ressalta como os cidadãos podem ajudar se tiverem consciência da importância da coleta seletiva. “Os moradores ligam para a gente, dizem o local e o endereço, a gente vai lá e faz a coleta. Esse material, quando chega aqui, ele é processado novamente. Eles fizeram uma seleção lá na casa deles, deixando os materiais na sacola, se for vidro separado e, com isso, quando ele chegar aqui, no depósito, a gente faz o processo de triagem dele.”
Antes do resíduo chegar às cooperativas, o trabalho dos catadores de materiais recicláveis é fundamental. Com o objetivo de diminuir os impactos ambientais e ainda gerar renda, esses profissionais têm papel importante em benefício do meio ambiente. É o caso, por exemplo, da catadora Jeruza do Nascimento, que faz parte da Cooperativa. Ela conta como começou a desempenhar a tarefa. “Meu marido já reciclava tudinho, aí eu comecei trabalhando, assim reciclando e trazendo para cá, comecei aprendendo com eles, como separar, por cor, por qualidade de material, aí estou até hoje. Eu reclamava muito com meu marido que eu dizia que era lixo. Agora eu sei a importância que tem, tanto assim em termos financeiros e tanto como é importante para o meio ambiente.”
Após as coletas, começam os processos de limpeza, trituração, lavagem, prensa e pesagem dos entulhos recolhidos. Os preços dos recicláveis podem variar de acordo com a qualidade e a categoria do material. Por exemplo, uma tonelada de plástico custa 1.200 reais, uma tonelada de alumínio pode valer até 2.800 reais, já uma tonelada de vidro equivale a 30 reais. São esses valores que mudam a vida de várias pessoas que dependem do lixo para sobreviver.
Tudo aquilo que é descartado nas casas, após separado adequadamente, se torna fonte de renda para muitos catadores. Até mesmo os móveis usados têm destino certo, de acordo com o coordenador da Coocencipe, Luiz Luiz Mauro. “Guarda roupa, sofá, cama e colchão, ele não precisa mais ser jogado na calçada. Liga para nós que vamos até lá apanhá-lo. E o que a gente pede após isso é que as pessoas separem o plástico, as garrafinhas, o papelão, jornal, livro, o computador velho, tudo que não for reutilizado, mande para nós que nós reutilizamos.”
A movimentação financeira em torno do lixo também existe em maior escala, como ocorre nos repasses de recursos do ICMS Socioambiental. São valores do Governo do Estado destinados a municípios que se preocupam com sistemas de tratamento ou de destinação final de resíduos sólidos. O objetivo é estimular a preocupação com o meio ambiente e com questões sociais. A medida é relevante, já que segundo dados da Agência Estadual de Meio Ambiente, a CPRH, 118 cidades pernambucanas estão em situação irregular, depositando detritos em lixões a céu aberto ou aterros controlados. Apenas 66 municípios contam com aterros sanitários, conforme estabelece a Política Nacional dos Resíduos Sólidos. Os critérios para a repartição dos repasses estão definidos na legislação estadual.
O diretor de Política Tributária da Secretaria da Fazenda, Roberto Abreu e Lima, explica que a medida beneficia quem obtiver os melhores resultados. “O ICMS Socioambiental é uma parcela de 25% dos 25% que o Estado arrecada que vai para os municípios, ou seja, 25% de 25%. Esse ICMS é dividido conforme indicadores socioambientais, indicadores na área de saúde, educação, combate à violência e ambientais. E a partir desses indicadores os municípios que atingirem os melhores indicadores, eles vão ter os percentuais maiores desse bolo.”
No segundo semestre de 2017, o total de ICMS repassado foi de quase três bilhões de reais e a parcela ambiental correspondeu a 84 milhões e 500 mil reais desse total. Para mais informações sobre formas de descartar os recicláveis ligue para a Coocencipe: (81) 3432-4751.
COMO CHEGAR