Inclusão educacional de pessoa com deficiência foi tema de reunião na Alepe

Em 14/11/2017
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Embora 27% da população de Pernambuco tenha algum tipo de deficiência, de acordo com o IBGE, 42% das vagas de emprego reservadas no estado estão desocupadas. Os dados apontam a necessidade de melhorar a qualificação profissional e foram apresentados durante a reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Deficiência dessa quarta, que discutiu a educação inclusiva nas universidades.  
Contratação de intérpretes de libras, adaptação da estrutura física e uso de tecnologia assistiva  estão entre as práticas que vem sendo adotadas, segundo representantes de instituições privadas e públicas presentes ao evento. O diretor de responsabilidade social do Grupo Ser Educacional, Sérgio Murilo, destacou que incluir não é só colocar pessoas com e sem deficiência na mesma sala de aula, mas fornecer todo o aparato necessário para a igualdade de acesso e permanência. “A gente nota que ainda há uma discriminação por parte dos docentes e por parte da alta cúpula. Muitas instituições podem pensar – ora, uma pessoa com deficiência vai ser um custo maior. Graças a Deus, nós não pensamos assim, mas tem muita gente que ainda pensa assim”.  De acordo com o gestor, a instituição mantém uma política de contratação, treinamento e retenção de colaboradores, além de projetos de inclusão social.

A coordenadora do Centro de Estudos Inclusivos da UFPE, Tícia Cavalcante, relatou que a universidade vem promovendo modificações no currículo dos cursos para trabalhar a inclusão na formação inicial e continuada dos estudantes. Além da disciplina de libras, obrigatória em todas as licenciaturas, há oferta de cadeiras eletivas e cursos de extensão. O vice-reitor da Universidade Federal Rural de Pernambuco, Marcelo Carneiro Leão, disse que a acessibilidade foi incluída no Plano de Desenvolvimento Institucional para ser uma política permanente. Mas ele considera que avanços reais necessitam de investimento de recursos financeiros, estruturação de novas carreiras e mudanças nos sistemas de avaliação. Maria do Carmo Oliveira, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, defendeu o respeito às singularidades linguísticas nos processos de seleção.

Mãe do educador físico Humberto Suassuna, de 37 anos, que tem Síndrome de Down, e membro do Núcleo de Inclusão e Acessibilidade da Unicap, Cynthia Carneiro Suassuna considera a inclusão das pessoas com deficiência  um longo processo que começa com uma decisão política das instituições. “A decisão de acreditar que é possível, que as pessoas com deficiência têm esse direito”. Ela disse que percebeu avanços durante a trajetória do filho, mas relatou que ele não pôde se inscrever no concurso do Tribunal de Justiça dentro das vagas reservadas porque a deficiência intelectual não foi contemplada pelo edital.

Presidente da Frente Parlamentar da Pessoa com Deficiência, a deputada Terezinha Nunes, do PSDB,  avaliou como positiva a presença de todas as instituições convidadas “As universidades realmente acordaram para o problema, estão enfrentando as dificuldades, e, se Deus quiser, vão avançar cada vez mais”. Representantes da Facho, Fafire, Faculdade Guararapes e Tribunal de Justiça de Pernambuco também participaram da reunião.