Incidente no HR gera debate no Colegiado de Administração da Alepe

Em 03/05/2022
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O Colegiado de Administração Pública da Alepe rejeitou, na manhã desta terça,  a solicitação do deputado Antonio Coelho, do União Brasil, para a realização de uma audiência pública sobre o incidente ocorrido no Hospital da Restauração, no Recife, na tarde da última segunda-feira. Na ocasião, uma tubulação de água estourou e  provocou o desabamento de parte do teto do setor de trauma da unidade de saúde, segundo o parlamentar, atingindo pacientes.

O deputado afirmou que a realização da audiência pública seria a oportunidade de dar voz a pacientes, familiares, funcionários e médicos do hospital que, para ele, vive uma “triste situação”. “Além de eventuais responsabilizações de indivíduos, a audiência pública também serviria para que nós pudéssemos apontar soluções. Esta Casa, a Assembleia Legislativa, não pode ser omissa nesse momento tão importante, nós temos que ser proativos para que a gente encontre soluções para esse episódio, como também que nós possamos ecoar a indignação de nosso povo”.

José Queiroz, do PDT, contou que ouviu a entrevista do diretor geral do hospital, o cirurgião Miguel Arcanjo, e que tem acompanhado o assunto. Para o parlamentar, um acidente doméstico também poderia gerar um cano estourado, e, no caso do ocorrido na Restauração, os fatos foram devidamente esclarecidos e não houve complicações para os pacientes. O deputado ainda sugeriu que o incidente fosse tratado numa reunião da Comissão de Saúde.

O líder do Governo na Alepe, Isaltino Nascimento, do PSB, comparou o episódio a uma situação semelhante ocorrida na semana passada no prédio em que mora, quando um cano estourou e deixou todos os moradores sem água por um dia. De acordo com Isaltino, a unidade de saúde tem mais de 70 anos e as manutenções estão em dia.

Em sua intervenção, Romero Sales Filho, do União Brasil, defendeu a realização da audiência pública, alegando que é preciso fazer perícias técnicas a fim de descobrir as causas do incidente, que, para ele, foi um desrespeito a toda a comunidade pernambucana. Diogo Moraes, PSB, sugeriu que a discussão fosse feita após a reunião do Colegiado de Administração, no que foi seguido por Isaltino Nascimento, que lembrou também que o assunto poderia ser debatido em Plenário. Tony Gel, do PSB, apontou que o caminho correto para debater o assunto passa pela Comissão de Saúde, que pode montar uma representação para investigar o fato.

O presidente da  Comissão, Antonio Moraes, do PP, lembrou que foram inaugurados cinco novos hospitais em Pernambuco e que devido à crise econômica vivenciada a partir de 2013, muitos usuários deixaram planos de saúde e foram para o sistema público. “Só que com esse acréscimo de pessoas que ficaram com problemas financeiros, sem poder pagar o plano de saúde, que tiveram que voltar para a rede pública, a gente está com essa superlotação hoje, nos grandes hospitais de alta complexidade aqui  no estado de Pernambuco. Talvez até, se a gente tivesse mantido aquele equilíbrio, a gente tivesse hoje uma situação bem melhor nos hospitais públicos”.

O parlamentar ainda indicou a possibilidade de um acordo com as lideranças do Governo e da Oposição para uma reunião do Colegiado de Administração com o diretor do Hospital da Restauração. Mas a votação resultou em dois votos a favor e quatro contrários à realização da audiência pública.

Em outro momento da reunião, foram discutidos e aprovados  12 projetos de lei, com destaque para o substitutivo da Comissão de Justiça que obriga a afixação de cartazes sobre o direito de atendimento, nas unidades de saúde, a pessoas em risco social, independentemente da apresentação de documento de identidade. Outra matéria aprovada cria o Programa Emprego Pernambuco, medida de estímulo do Governo do Estado à geração do emprego e à promoção da renda em Pernambuco. O texto já  havia sido aprovado na última segunda, na reunião do Colegiado de Justiça.