Impactos da privatização da Chesf são discutidos na Alepe

Em 04/09/2017
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“A Chesf é do Nordeste, a Chesf é do Nordeste, a Chesf é do Nordeste.” Protestos de funcionários da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, a Chesf, marcaram o início de audiência pública, realizada na Alepe, nessa segunda. O encontro discutiu os impactos da privatização da empresa. A possibilidade está em análise pelo Ministério de Minas e Energia. A posição contrária à iniciativa foi consenso entre os participantes do evento. Para o senador Humberto Costa, do PT de Pernambuco, a privatização pode ser negativa para a qualidade do serviço, além de aumentar a conta de luz. Outra consequência seria a perda do controle sobre a energia, ativo considerado estratégico pelo deputado federal Tadeu Alencar, do PSB de Pernambuco, e pela solicitante da audiência, deputada Laura Gomes, do mesmo partido. Para a deputada federal Luciana Santos, do PCdoB de Pernambuco, a energia é um bem público. “Não tem como a gente querer privatizar as águas do Rio São Francisco. Eu tenho a expectativa, portanto, que isso vai crescer muito, vai ganhar as ruas, e a gente vai barrar essas iniciativa tão nefasta para o povo brasileiro.”

O presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Chesf da Câmara dos Deputados, Danilo Cabral, do PSB de Pernambuco, destacou que a Companhia é o maior investimento já feito na história do Nordeste. Para Cabral, só a mobilização da sociedade pode impedir a privatização. Ou, pelo menos, levar a um debate mais profundo, na opinião do presidente do Colegiado de Justiça, o deputado Waldemar Borges, do PSB. O líder do Governo na Alepe, deputado Isaltino Nascimento, também do PSB, sugeriu um dia de manifestação nas ruas, ainda este mês, em todo o Nordeste. Ele ainda comentou que os deputados estaduais devem acionar a Justiça. “Do ponto de vista da ação popular, a ideia é que nós possamos visitar o Ministério Público Federal para que ele possa patrocinar uma ação popular também para garantir a defesa da Chesf enquanto instituição pública.”

O presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Aluísio Lessa, do PSB, defendeu uma agenda permanente sobre o tema na Alepe, com a participação da sociedade civil. O deputado Lucas Ramos, do PSB, deve ser o coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Chesf, a ser instalada na Casa. O Colegiado deve visitar os municípios impactados. “O diálogo será certamente a nossa maior característica enquanto visitarmos cada uma dessas localidades porque entendemos que foi exatamente o que faltou ao presidente Michel Temer.”

Terezinha Nunes, do PSDB, se prontificou a participar da discussão diretamente com o Ministro de Minas e Energia, Fernando Filho. O posicionamento dele foi criticado pelos deputados petistas Odacy Amorim e Teresa Leitão“Eu acho extremamente contraditório que uma família que conhece a importância que o rio São Francisco tem para o desenvolvimento da cidade e da região venha agora defender a privatização do sistema hidroelétrico do nosso país.”

Apesar da insatisfação, o risco de uma medida extrema por parte dos funcionários da Chesf, como o desligamento da energia, está descartado, segundo o presidente do Sindicato dos Urbanitários de Pernambuco, José Barbosa. “O nosso movimento sempre foi movimento ordeiro. Inclusive, nos movimentos de greve, os trabalhadores sempre prezaram pela prestação do serviço.”

O encontro foi promovido, de forma conjunta, pelas Comissões de Justiça, Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente. A ata da reunião vai ser enviada ao Ministro Fernando Filho.