Hortas caseiras são opções para alimentação saudável nas grandes cidades e no interior

Em 14/10/2016
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Os versos da música Cio da Terra, de Milton Nascimento e Chico Buarque, falam dos prazeres de cavar a terra com as próprias mãos e dela recolher  o sustento pra vida, o pão. Poesia que se materializa no dia a dia de pessoas que estão plantando o seu próprio alimento, seja no campo ou em meio ao concreto da cidade. A professora de arte e estudante de Agroecologia, Monique Lupe, de 27 anos, cultiva horta e tem composteira de lixo no jardim da sua casa, em Pau Amarelo, Paulista, Região Metropolitana. “Na época do modernismo a ideia era concretar tudo. Hoje em dia eu vejo as pessoas arrancando as pedras do quintal, querendo ter uma horta. Tem muita gente plantando em canteiros e jardineiras, hortas verticais, reciclando materiais.”  

Como a pedagoga Karla Aparecida, de 28 anos, moradora de  Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana, que resolveu se alimentar de ervas, hortaliças e frutos plantados na laje da sua casa. “Como a gente não tem terreno, é na laje que a gente planta tudo. A ideia é a soberania alimentar.”

O sonho de produzir com as próprias mãos o alimento para a sua família foi o que moveu a arquiteta argentina Chivi Marincola, de 46 anos, a fincar raízes em Pernambuco. Há 15 anos ela reside num sítio na zona rural de Olinda, Região Metropolitana, plantando de tudo, até lenha pra cozinhar. A ideia deu tão certo que parte da produção é hoje comercializada em feiras orgânicas. “Foi um laboratório pessoal, mas com o sonho de realmente inspirar as pessoas a mudar os hábitos, trazer mais consciência.”

Visão de mundo que está presente na Permacultura, que surgiu na década de 1960 e tem como filosofia cuidar da terra, das pessoas e compartilhar os excedentes. Foi o que encantou o corretor de seguros e permacultor Valter França, de 50 anos. Desde 2012, ele se mudou com a família para um sítio em Chã Grande, na Mata Sul, em busca de uma proposta de vida que vai além de cultivar o seu próprio alimento: criar uma alternativa para ajudar a fortalecer a agricultura familiar. Para isso foram criadas as Comunidades que Sustentam a Agricultura Orgânica (CSAs) – grupos de pessoas que financiam  famílias de agricultores do interior, com um valor simbólico por mês. Em troca, esses produtores alimentam semanalmente os doadores com o que produzem no campo.  França explica. “Isso serve pra manter o homem no campo, trazer dignidade pra atividade rural e também para trazer uma ajuda simbólica pra atividade agrícola. A gente tem possibilidade de produzir algum tipo de alimento ou de apoiar a agricultura familiar. Ser sustentável é comprar e consumir alimentos que estão próximos de você.”

Se você quer dicas para cultivar a sua horta, acesse: www.ecodesenvolvimento.org e se estiver interessado em apoiar as Comunidades que Sustentam a Agricultura, visite a página no Facebook: csarecife.