Lavar as mãos, um costume simples aprendido na infância, mas nem sempre mantido na vida adulta. As mãos são consideradas a principal via transmissiva de microrganismos. Esses micróbios ficam alojados na pele e podem passar de uma superfície para outra pelo toque ou pelo manuseio de objetos contaminados. Doenças como gripe, diarreia, conjuntivite e até infecções hospitalares podem ser evitadas de um jeito barato e fácil: a higiene das mãos. O método é eficaz inclusive para impedir o contágio por bactérias multirresistentes. A médica infectologista Cláudia Vidal, chefe do setor de Vigilância em Saúde do Hospital das Clínicas da UFPE, explica quando devemos lavar as mãos.“Antes e após comer, antes e após preparar alimentos ou de ir ao banheiro, após tocar em secreções próprias como quando nós espirramos, ou tossimos e levamos a mão para proteger. E hoje a etiqueta já não é mais essa. Nós devemos proteger com o braço e não com as mãos exatamente para evitar a contaminação das mãos o tempo todo. Nessas situações, a simples higiene das mãos com água e sabão é suficiente.”
Manter as mãos limpas é tão importante que todo hospital precisa ter uma Comissão de Controle de Infecção Hospitalar e adivinha qual é uma das atribuições do grupo? Isso mesmo, incentivar a correta limpeza das mãos pelo profissionais de saúde. Mas nem sempre foi assim.
Até o século XIX, não era costume lavar as mãos antes de examinar pacientes ou realizar cirurgias. Foi o médico húngaro Ignaz Semmelweis quem primeiro percebeu que o ato poderia evitar doenças e até mesmo mortes. Ele trabalhava em uma maternidade na Áustria e notou que as mulheres auxiliadas por médicos e estudantes de medicina morriam mais de uma infecção chamada febre pós-parto do que aquelas ajudadas por parteiras. Semmelweis deduziu que a doença era transmitida por bactérias alojadas nas mãos dos profissionais, porque eles examinavam cadáveres no necrotério e não lavavam as mãos antes de atender as gestantes. A infectologista Cláudia Vidal conta os resultados das observações do médico húngaro. “O fator que poderia estar influenciando era a higiene das mãos e Semmelweis instituiu que os partos só seriam realizados após a higienização das mãos. Com isso, se observou uma redução drástica na ocorrência de infecção exatamente porque as mãos são o principal veículo de transmissão.”
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, entre 5 e 10% dos pacientes que dão entrada em hospitais adquirem infecções durante a permanência no serviço de saúde. Nos países em desenvolvimento, a proporção pode chegar a 40%. Para conscientizar os profissionais da área e a sociedade foi criado o Dia Mundial de Higienização das Mãos, comemorado em 5 de maio. Com a data, a OMS pretende que mais pessoas façam como editora audiovisual Sofia Egito. Ela não trabalha salvando vidas, mas sempre se preocupou em estar com as mãos limpas. “Eu lavo as mãos sempre que eu pego em dinheiro…. eu lavo as mãos sempre que eu uso o transporte público, logo depois. E eu lavo as mãos ao chegar em casa. Sempre que eu chego em casa é uma das primeiras coisas que eu faço.”
De acordo com a Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para lavar as mãos pode-se usar água e sabão ou álcool em gel. É importante espalhar quantidades suficientes dos produtos para remover microrganismos, suor, oleosidade e células mortas. Lave as palmas e costas das mãos, entrelace os dedos e reforce a limpeza inclusive nos punhos. Repita os movimentos de lavagem invertendo as mãos e não se esqueça das unhas! Se você usou água e sabão, é preciso enxaguar toda a espuma e secar bem com papel ou toalha. O procedimento leva de 20 a trinta segundos e faz as doenças e infecções passarem longe.
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