As taxas de mortalidade por acidentes com motos representam o maior problema de saúde pública de Pernambuco. A afirmação é do secretário estadual de Saúde, Iran Costa, que apresentou nessa quinta, na Assembleia, o relatório da gestão estadual referente ao último quadrimestre de 2016. De acordo com o secretário, os acidentes com motos geram um custo para o estado de cerca de 500 milhões de reais ao ano. “O Governo de Pernambuco gasta em torno de 380 milhões de reais com a UPE, que promove desenvolvimento, formação de profissionais, enfim, gasta em torno de menos do que isso para o desenvolvimento de Suape.”
Durante a audiência pública, o secretário de Saúde ressaltou números positivos da gestão. Segundo Iran Costa, pelo oitavo ano consecutivo, Pernambuco ultrapassou a obrigação constitucional de aplicar 12% da receita do Estado na saúde. O percentual foi de 15% em 2016. O secretário atribui essa folga no orçamento a bons mecanismos de gestão. Mas ele admitiu que o financiamento federal precisa aumentar. “A tabela do SUS, ela está congelada há 12 anos. O teto dos Estados está congelado há seis anos.”
Iran Costa ainda abordou a carência de leitos na rede estadual. Ele informou que uma das medidas em curso envolve a troca de macas por camas, para melhor acomodar os pacientes. Outra ação do Governo destacada foi a inauguração da Unidade Pernambucana de Atenção Especializada (UPAE) de Ouricuri, no Sertão do Araripe, para atender 11 municípios da região. A presidente da Comissão de Saúde, deputada Roberta Arraes, do PSB, ficou satisfeita com o desempenho da gestão. “Nós vimos perfeitamente que o Estado de Pernambuco tem cumprido rigorosamente com seus índices, quando você se compara a outros estados.”
Os deputados Eduíno Brito, do PP, Lucas Ramos, do PSB, e Rodrigo Novaes, do PSD, acompanharam a prestação de contas. Representantes da sociedade civil também participaram da reunião. O advogado José Diógenes, da Comissão de Direito e Saúde da OAB Pernambuco, vê com preocupação os custos com acidentes de motos: “Uma calamidade pública a questão dos acidentes de moto, e a sociedade civil organizada como um todo tem que se preocupar com isso, tem que se unir para encontrar uma solução para que esses danos físicos, psíquicos e mentais, além dos danos materiais, sejam diminuídos.”
Zilda Cavalcanti, da diretoria do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco, abordou as dificuldades que o estado enfrenta ao compartilhar a gestão da atenção básica de saúde com os municípios. Ela ressaltou que uma atuação maior das prefeituras é importante para desafogar a assistência médica de alta complexidade.
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