O risco de contaminação do Rio São Francisco pela pluma de rejeitos da barragem de Brumadinho foi debatido em audiência pública realizada na Alepe, nessa terça. O encontro reuniu especialistas e gestores de instituições ligadas ao tema, como Chesf, Compesa, Codevasf, CPRH e Secretarias estaduais de Meio Ambiente e de Recursos Hídricos.
O pesquisador da Fundaj, Neison Freire, apresentou um estudo de monitoramento nessa área. A pesquisa concluiu que, no dia 12 de março, a contaminação chegou à Represa de Três Marias, em Minas Gerais, através do rio Paraopeba. A partir desse ponto, a lama está se diluindo no lago e seguindo para o São Francisco. Mas, segundo Freire, não há como prever quando e com que intensidade a água poluída vai atingir o Velho Chico. “O que nós sabemos é que a contaminação existe. É que a contaminação é contínua, por conta da lama de rejeitos que continua exposta em Brumadinho. E que estamos num período chuvoso, então a erosão continua carreando material para o Rio Paraopeba e daí para o Rio São Francisco. Nós sabemos que vai chegar.”
Outras ameaças também podem comprometer a saúde do curso de água, de acordo com o presidente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Anivaldo Pinto. O especialista alertou para os riscos oferecidos por outra barragem em Minas Gerais: a de Paracatu. No local, opera a maior mina de ouro a céu aberto do mundo. Metal que seria ainda mais danoso para o meio ambiente que o ferro. Qualquer acidente na barragem iria despejar rejeitos de ouro no Rio Paracatu, o maior afluente do São Francisco.
O presidente da CPRH, Djalma Paes, e a secretária executiva de Meio Ambiente, Inamara Melo, frisaram a importância da prevenção e do preparo para minimizar os efeitos de tragédias como a de Brumadinho.
Seriam crimes, na avaliação da representante do Movimento dos Atingidos por Barragens, Fernanda Rodrigues. Para a ativista, falta debate sobre os impactos desses episódios na vida da população mais carente. “Tem uma preocupação muito grande nessa questão da economia, do grande capital, do agronegócio. Mas não tem uma preocupação, um processo de acompanhamento, de levar informações e de debate com as comunidades tradicionais quilombolas, indígenas e ribeirinhas que estão nas margens do Rio São Francisco. Então, essa população não tem acesso a nenhuma informação. Chegou o rejeito? Não chegou? Então, a família tem a preocupação se pode beber aquela água do rio.”
Coordenador-geral da Frente Parlamentar em Defesa do Rio São Francisco, que promoveu a audiência pública, o deputado Lucas Ramos, do PSB, destacou a importância da temática. “É uma preocupação com a saúde do rio e com a saúde das pessoas. Afinal de contas, são elas que, de alguma forma, consomem as águas do Velho Chico, seja no abastecimento humano, na pesca artesanal, no turismo, até na geração de energia. Esse rio, o rio da integração nacional, o mais importante do Brasil.”
Ainda neste semestre, o Colegiado deve realizar outras audiências em Floresta, no Sertão de Itaparica, e em Cabrobó e Petrolina, no Sertão do São Francisco.
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