Um dos principais desafios enfrentados por pessoas com deficiência para conseguir trabalho ainda é a falta de informação dos empregadores. Esse foi um dos assuntos discutidos na reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Deficiência, nessa terça, na Alepe. No encontro, as chamadas barreiras atitudinais – atitudes baseadas no preconceito e que geram exclusão – foram apontadas como entrave para a empregabilidade do segmento. De acordo com a representante da Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência, Alexandra Spineli, alguns empregadores contratam somente para atender a cota legal. “Alguma empresas acabam não compreendendo muito bem, quando abrem a vaga, onde vão inserir a pessoa com deficiência. Muitas vezes abrem a vaga por uma questão de preenchimento de cota do que pelo fato de contratar o funcionário. Elas ainda não percebem em que local da empresa vão estar colocando esse funcionário.”
Dados da Gerência de Empregabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Recife apontam que existem, sim, vagas disponíveis, mas os critérios mínimos de acessibilidade não são observados. Dos 2 mil e 300 postos de trabalho abertos para pessoas com deficiência em 2017, apenas 41 foram preenchidos. A baixa empregabilidade se deve à falta de adaptação do local de trabalho e à ausência de conformidade da função a ser exercida com a deficiência do candidato. O fiscal do Ministério do Trabalho em Pernambuco, Fernando Sampaio, disse que os problemas não são exclusivos do setor privado. Na realização de concursos públicos, há barreiras de acessibilidade desde o texto do edital até a avaliação durante o estágio probatório. “É uma série de irregularidades que fazem com que ao final se diga que não tem candidato aprovado, quando não é isso que ocorre de fato. É um edital excludente, atitudes excludentes, recrutamento e seleção excludentes.”
A coordenadora da Frente Parlamentar, deputada Terezinha Nunes, do PSDB, disse que as inconformidades nos concursos públicos motivaram a criação de um grupo de trabalho para tornar os certames mais acessíveis. “A gente criou o grupo que vai cuidar da mudança da legislação dos concursos públicos, que têm muitos problemas. O Tribunal de Justiça fez um concurso recentemente que está cheio de limitações para as pessoas com deficiência. O grupo vai propor uma legislação para que sejam efetivamente garantidos os direitos dessas pessoas.”
Também participaram do encontro representantes da OAB, Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Tribunal de Justiça de Pernambuco, Justiça do Trabalho, entre outras entidades.
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