O adoecimento dos profissionais de segurança pública de Pernambuco motivou a realização de audiência pública da Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Mental dos Pernambucanos, nesta quarta. Na Polícia Militar de Pernambuco, foram 1.920 afastamentos por questões psicológicas em 2022, ano em que mais de 25% do efetivo buscou atendimento psiquiátrico. Os números foram passados pelo coordenador da Frente, o deputado Joel da Harpa, do PL, com dados da Lei de Acesso à Informação.
“A pressão enfrentada diariamente pelos profissionais de segurança pública em todo o país está diretamente relacionada ao aumento dos casos de adoecimento mental. A exposição constante à violência, sem apoio psicológico adequado, agrava o quadro. No Brasil, pelo menos 43 policiais militares são afastados por dia por transtornos psiquiátricos.”
Uma das principais dificuldades apresentadas no encontro foi a necessidade de ampliar os atendimentos para responder à demanda, tanto na Polícia Militar quanto na Polícia Civil. Atualmente, a PM conta com três psiquiatras para oferecer suporte a todos os profissionais do Estado. A situação da Polícia Civil é ainda mais delicada, pois não há psiquiatras. O atendimento é feito por cinco psicólogos e dois assistentes sociais.
Danielly Alves, que trabalhou como cabo da PM, deu um depoimento durante a reunião. Ela foi reformada por razões de saúde mental. “No meu batalhão, todo mundo me conhecia por Dani Sorriso, porque eu sempre chegava, falava com todo mundo, sorria. Mas meu colega, que estava comigo na guarnição, percebeu que eu não era mais a mesma pessoa. E chegou pra mim e disse: ‘Dani, procure ajuda, procure alguém pra você conversar’.”
O estigma relacionado ao cuidado com a saúde mental foi apontado no encontro como um desafio dentro das corporações. A chefe da Unidade de Estudos e Gerenciamento de Saúde e Valorização da Polícia Civil de Pernambuco, a psicóloga Ana Paula Veloso, atua há 21 anos na instituição. Ela entende que é preciso falar sobre o tema. “No meio policial, estamos numa profissão que, culturalmente, não vê com simpatia a fragilidade e a vulnerabilidade. Entretanto, é importante ter clareza de que isso são estigmas e preconceitos que não podem direcionar suas ações.”
A tenente-coronel Vanessa Santos, psicóloga da Polícia Militar, elencou medidas que a instituição tem adotado para enfrentar a questão. Entre elas, está a criação do Núcleo de Saúde Mental, no ano passado, que promove palestras, visitas, atendimentos online e presenciais. De acordo com a tenente-coronel, em 2024 foram realizados 334 atendimentos presenciais e mais de 2300 online. Outro destaque foi a implantação do Programa Tamo Junto, que capacita policiais para ouvir e orientar colegas a buscar ajuda. O tenente-coronel Erick Marcílio da Silva, diretor de Assistência Social do Corpo de Bombeiros Militares de Pernambuco, também destacou o lançamento, no mês passado, do Programa Salva Mente, da corporação.
Joel da Harpa comunicou que a Frente Parlamentar vai elaborar um diagnóstico geral, a partir do que foi levantado na audiência pública, para apresentar ao Poder Executivo. O deputado informou ainda que o colegiado vai seguir acompanhando a situação. A audiência pública teve, ainda, a participação da diretora de Articulação Social e Direitos Humanos da PMPE, coronel Cristiane Vieira, e da representante do Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco, Raissa Felipe.
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