Frente da Pessoa com Deficiência debate aquisição de órteses, próteses e equipamentos

Em 26/06/2018
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A Frente Parlamentar da Pessoa com Deficiência debateu, nessa terça, sobre a aquisição e distribuição pela rede pública de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção. Talas e sapatos ortopédicos, membros mecânicos, coletes, próteses oculares e auditivas, além de cadeira de rodas, bengalas e muletas, são alguns exemplos desses equipamentos. A função deles é ampliar a funcionalidade, a  participação e a independência do usuário. Esses materiais devem ser fornecidos pelo SUS.

A Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), localizada no Recife, é o maior centro de reabilitação e distribuição desses instrumentos no estado. Por mês, a instituição entrega 830 aparelhos, entre cadeiras de rodas, órteses e próteses, tudo custeado pelo SUS. O gestor da AACD, Marcos Rodrigues, explica que a maior demanda é de pacientes do Interior. O estado de Pernambuco é significativamente muito grande. A maior demanda que a gente tem são de pacientes do Interior. Gira em torno de 60% de pacientes do Interior. Então eles já têm a dificuldade de transporte, têm dificuldade de locomoção e têm dificuldade de tempo. Ele sai de madrugada de casa para pegar uma cadeira de rodas na AACD.”

Segundo ele, a AACD entrou em contato com prefeituras de vários municípios para que apoiassem a abertura de novas unidades da instituição, mas, de acordo com o gestor, não houve interesse. A coordenadora de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência da Secretaria Estadual de Saúde, Arabela Morais, explicou que unidades municipais aptas a conceder os equipamentos já existem em Arcoverde, no Sertão do Moxotó, Limoeiro, no Agreste Setentrional, e Ipojuca, na Região Metropolitana. Em Caruaru, no Agreste Central, e Petrolina, no Sertão do São Francisco, há centros de distribuição de próteses auditivas. Arabela disse, ainda, que os municípios de Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú, e Ouricuri, no Sertão do Araripe, vão poder contar com centros de reabilitação próprios.  “Ouricuri, na verdade, está em fase de construção ainda. Foi retomada a construção que ficou um tempo parada. Ela é de gestão municipal, é um CER, que é o Centro Especializado em Reabilitação, vai trabalhar com três tipos de reabilitação: visual, intelectual e auditiva. A de Afogados da Ingazeira já está mais adiante porque já está construído.”

No Recife, o Imip, os Hospitais Getúlio Vargas e Barão de Lucena,  a Fundação Altino Ventura e a Policlínica Lessa de Andrade, entre outras instituições, também fornecem órteses e próteses. Elas integram a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência no estado. A coordenadora da Frente Parlamentar, deputada Laura Gomes, do PSB, disse que um dos encaminhamentos da reunião será a mobilização das gestões municipais. “Discutir principalmente com os municípios para montar uma estratégia de aceitação e liberação de recursos. Lutar por isso para que o município atenda às pessoas com deficiência no seu território.”

 Para a presidente da Aliança de Mães e Famílias Raras (Amar), Poliana Dias, os direitos da pessoa com deficiência também interessam diretamente à parcela da população que se dedica aos cuidados e acompanhamento desses cidadãos: mães, pais, familiares e cuidadores.“Nós somos 28% da população pernambucana. Essas pessoas geralmente são envolvidas com algum cuidador. Então, isso dobra o número de envolvidos que vai para mais de 50% da população pernambucana. E a gente não fala em pessoas com deficiência. É um tabu para se falar. Todas as leis e orientações são pequenas, não têm grande impacto social.”

Também participaram da reunião outros gestores da Secretaria Estadual de Saúde, da Secretaria de Saúde do Recife, do Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência e de outras entidades.