Especialistas discutem os desafios com o tratamento da doença de Chagas em Pernambuco

Em 09/04/2026
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A Comissão de Saúde da Alepe realizou, nesta quinta, uma audiência pública para discutir estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença de Chagas. Transmitida principalmente pelo inseto conhecido como barbeiro, a enfermidade pode evoluir de forma silenciosa por anos, atingindo órgãos como o coração e o sistema digestivo. Ela afeta sobretudo pessoas em situação de vulnerabilidade social, com menos acesso à moradia adequada, e a informações e serviços de saúde.

O deputado Rodrigo Farias, do PSB, que propôs e presidiu o encontro,  destacou a necessidade de ampliar a notificação dos casos e fortalecer políticas públicas de enfrentamento. Pernambuco é considerado uma área endêmica e de alta prevalência na transmissão da doença de Chagas. Os dados mostram que o vetor está presente por meio das condições socioeconômicas que, em parte do território, facilitam a permanência.”

A representante do projeto Integra Chagas Brasil, Eliana Souza, apresentou resultados expressivos das ações desenvolvidas no município de Iguaracy, no Sertão do Pajeú. A iniciativa, financiada pelo Ministério da Saúde, tem como foco ampliar o acesso ao diagnóstico, ao cuidado contínuo e à informação, principalmente nas áreas rurais. Em Iguaracy, foram realizados cerca de 6.500 testes rápidos, cobrindo cerca de 60% da população. 562 casos foram confirmados em até 15 minutos, sem a necessidade de envio das amostras para centros maiores.

A maioria dos diagnósticos foi em pessoas com baixos níveis de escolaridade.  O desafio, segundo Eliana Souza, é conseguir integrar ações de saúde, educação, assistência social e meio ambiente, para criar uma linha de cuidado estruturada para os pacientes.  É preciso falar sobre a presença do Estado cotidianamente nesse projeto. Se esse projeto pensa em ser replicado, precisa ser escalonado, o Estado tinha que estar presente. E esteve.”

Representante do Conselho Estadual de Saúde, José Felipe Pereira questionou a aplicação dos recursos da saúde em Pernambuco. Ele cobrou mais investimentos em prevenção, como melhoria habitacional, pontuando excesso de foco na criação de novos hospitais e negligência no cuidado básico aos mais vulneráveis. É preciso que parte desses bilhões vá para promoção e prevenção sob pena da gente sempre estar construindo hospitais e uma população adoecida. Se a gente não cortar a cadeia de transmissão, vamos estar sempre construindo o debate com esses números alarmantes.

A médica Cristina Carrazzone destacou que o ambulatório da Casa de Chagas, ligado ao Procape, no Recife, acompanha mais de mil pacientes. Ele surgiu a partir da alta demanda de casos graves vindos do interior desde os anos 1980. Segundo ela, a evolução do serviço mostrou a necessidade de descentralizar o atendimento. Acho que Pernambuco está em um momento muito interessante de descentralização. Vamos unir forças para descentralizar e chegar lá na ponta. É inadmissível que um paciente tenha que fazer 12 horas de viagem para fazer um eletro.”

O diretor de Vigilância Ambiental da Secretaria estadual de Saúde, Eduardo Bezerra, destacou que a pasta tem estratégias para descentralizar o diagnóstico e integrar vigilância e atenção primária às populações vulneráveis.