Especialistas discutem na Alepe os impactos e desafios da pandemia para garantia da saúde do trabalhador

Em 09/06/2020
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Os desafios para garantir a integridade do trabalhador durante a pandemia do novo coronavírus foram discutidos pela Comissão de Saúde da Alepe, em videoconferência realizada na tarde desta terça. O debate foi realizado em parceria com o Grupo Interinstitucional de Prevenção de Acidentes de Trabalho da 6ª Região, Getrin.

Estabelecimentos de saúde, empresas de teleatendimento e supermercados são os setores mais notificados em Pernambuco, de acordo com a auditora fiscal do trabalho Simone Holmes, chefe do Setor de Segurança e Saúde da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Pernambuco. Os principais motivos têm sido a necessidade de adequar os ambientes laborais e afastar trabalhadores mais vulneráveis. A especialista lembrou que, no Estado, um a cada quatro profissionais da saúde já se contaminou, o que representa mais de 12 mil testes positivos na categoria, exposta, ainda, a extensas jornadas com sobrecarga física e psíquica.

Segundo Simone Holmes, a covid 19 já é reconhecida pelos médicos como uma doença do trabalho, mas é preciso normatizar essa garantia. “A pessoa que sai de casa e vai trabalhar e adoece, ela adoeceu porque não pôde ficar em casa e se preservar e essa doença tem que ser reconhecida como doença do trabalho. Eu até peço o apoio dos deputados, porque eu sei que vai ser uma luta para os trabalhadores grande, dos sindicatos também, mas que a gente precisa assumir essa luta”. A auditora fiscal apontou aumento de 75% na procura pelo seguro desemprego no mês de maio em Pernambuco e demonstrou preocupação com os riscos a que estão expostos os trabalhadores informais.

Em seguida, a psicóloga clínica Laura Pedrosa, que atua como perita do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região, falou sobre a saúde mental em tempos de teletrabalho, isolamento social e fragilidade econômica.  Não são apenas as pessoas da linha de frente do combate à pandemia que sofrem agravos da saúde mental, de acordo com a especialista. Ela apontou alguns sinais de alerta: “Tem prevalecido alterações de humor como agressividade, irritabilidade, ou o extremo, que é a apatia, a tristeza, o desamparo; o comprometimento de autoestima, de energia vital, a falta de um projeto de vida pós-pandemia. Isso compromete o nível de atenção, o nível de memória, e com esse déficit de atenção, essas pessoas estão mais vulneráveis a acidente de trabalho”.

Laura Pedrosa sugeriu a adoção de um protocolo de acompanhamento das condições psicossociais dos trabalhadores. Também defendeu a normatização do teletrabalho para evitar abusos que possam ser caracterizados como assédio moral, a exemplo da invasão de privacidade e do controle excessivo da jornada realizada de casa. Os empregadores ainda podem promover ações de bem-estar virtual, como a manutenção da ginástica laboral, oferta de acompanhamento psicológico online e incentivo a atividades manuais e solidárias.

O debate sobre a saúde do trabalhador foi presidido pelo deputado Isaltino Nascimento, do PSB. O parlamentar sugeriu uma reunião para planejar as medidas de proteção que precisam ser adotadas pela Assembleia Legislativa na volta das atividades presenciais.