Especialistas alertam para o diagnóstico precoce no combate ao câncer infanto-juvenil

Em 28/09/2021
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O câncer é a primeira causa de morte por doença em crianças e adolescentes de um a dezenove anos no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer. Esse e outros dados sobre o tema foram apresentados em audiência pública realizada pelas Comissões de Saúde e de Cidadania da Assembleia Legislativa, nesta terça, para debater o Setembro Dourado. A iniciativa pretende alertar a sociedade sobre a importância de detectar os sinais e sintomas sugestivos do câncer infanto-juvenil.

Nessa linha, a necessidade do diagnóstico precoce foi o principal ponto defendido pelos participantes, como explica o oncologista pediátrico do Instituto do Câncer Infantil do Agreste, Luiz Henrique Soares. “Se você atrasa o diagnóstico, você vai ter que ser mais agressivo no tratamento, a possibilidade de sequelas é maior, o custo de tratamento é muito elevado, e o sofrimento da criança da família.”

A presidente do Colegiado de Cidadania, deputada Jô Cavalcanti, do mandato coletivo Juntas, do PSOL, disse que a pauta é tão importante quanto reduzir a desigualdade de acesso ao diagnóstico. “Atualmente, cerca de 80% das crianças e adolescentes com câncer podem ser curados se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados pediátricos com protocolos cooperativos.”

Uma das instituições que mais luta pelo diagnóstico precoce em Pernambuco é o Grupo de Ajuda à Criança Carente com  Câncer. A presidente da instituição, Vera Morais, apresentou o programa “Fique Atento: pode ser câncer”, iniciativa que tenta mudar o quadro histórico da doença no País. “Eu assisti muitas crianças falecerem nessa década de 1970, mais de 70% das crianças morriam, e eu não queria que isso voltasse a acontecer aqui. A gente precisava unir as forças para a gente melhorar isso.”

Os pacientes acreditam que todo o esforço nesse sentido é válido, uma vez que são vidas em jogo. É o caso, por exemplo, de Larissa Souza, que se curou com o apoio do Grupo, mesmo tendo demorado dois anos para receber o diagnóstico. “Esse diagnóstico tardio, que foi o meu caso, ocasionou muitas consequências no tratamento, porque eu já tinha um tumor no fêmur, um tumor no útero, tinha nódulos espalhados pelo corpo.”

Muitas vezes, isso ocorre porque na linha de frente, os desafios ainda existem, como demonstra a representante do Conselho Regional de Enfermagem, Aracele Tenório.“A gente vê ainda um despreparo muito grande, muitas vezes ali da atenção básica em atentar para determinadas situações, não só atenção básica, mas as próprias emergências mesmo.”

Para tentar reverter esse quadro, a Secretaria Estadual de Saúde realiza capacitações para que profissionais de unidades básicas possam identificar os sinais precocemente. O coordenador da Política de Oncologia da pasta, Rodrigo Bezerra, afirmou que, desde 2019, quase dois mil profissionais já foram qualificados. Campanhas como o Setembro Dourado também podem ajudar, na opinião da  deputada Alessandra Vieira, do PSDB. “Que a população, a sociedade, os governantes enxerguem mais o Setembro Dourado e que possam fazer muito mais por essas crianças que passam por momentos difíceis, junto com a família.”

A deputada é autora do projeto de lei que pretende ampliar a metodologia criada pelo programa “Fique Atento, Pode Ser Câncer” para toda a rede estadual de saúde.