Pessoas transplantadas e doadores de órgãos ou tecidos pagam meia-entrada em cinemas, shows e teatros em Pernambuco. A lei que assegura esse direito está em vigor desde 2021. A norma visa incentivar que mais pessoas se declarem doadoras e valorizar quem já doou.
Segundo o texto, os beneficiários precisam ser considerados aptos por entidade reconhecida no Estado e apresentar o documento oficial na entrada dos eventos. Os estabelecimentos que descumprirem a lei podem levar uma advertência na primeira autuação, e se recorrente, a multa pode chegar a 100 mil reais, além de suspensão temporária ou até cassação da licença.
A fisioterapeuta Vivana Lins, que faz parte do grupo de doadores de medula óssea, já utiliza o benefício. “Eu fiz meu cadastro em 2007 e, quando eu fiz esse cadastro, eu não sabia nem que poderia existir nenhum tipo de benefício em relação a isso, porque, na minha cabeça, já era um privilégio poder doar. Você baixa o aplicativo do Redome, tem todos os seus dados, o dia que você fez e todas as informações necessárias que você é doador.”
Quem vive de perto essa realidade conhece a importância da conquista de novos direitos. Geziane Cristina é moradora do município de Carinhanha, no interior da Bahia. Ela é mãe de Antônio, de 4 anos. O menino tem uma doença hepática e realiza o tratamento em um hospital de referência no Recife, capital pernambucana, enquanto espera por um novo fígado na fila do transplante de órgãos. Para Geziane, a doação do órgão é a esperança de um futuro saudável para o filho.
“Quando nós recebemos o diagnóstico de Antônio não foi fácil. é muito difícil para uma mãe aceitar que seu filho está doente, sendo que você via seu filho correndo, brincando e saudável o tempo todo. A gente sabe que tem família que pensa retrógrado de não doar os órgãos, mas pensa quantas vidas vai salvar. A partir do transplante, ele terá uma nova vida, ele irá renascer.”
Longe de casa, Geziane e Antônio foram acolhidos pela Associação Pernambucana de Apoio aos Doentes do Fígado, a Apaf, uma entidade sem fins lucrativos que colabora para melhorar a vida dos pacientes em tratamento. A equipe médica da Apaf atua diretamente na unidade de transplante de fígado do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, e já realizou mais de 1.600 transplantes.
Diretor-presidente da instituição, o hepatologista Cláudio Lacerda ressalta a importância da doação de órgãos. “É preciso entender que existem centenas, milhares de pessoas que precisam de um órgão para sobreviver. Além disso, tem uma razão adicional para que essas pessoas façam essa opção, é que qualquer um de nós, a qualquer momento, poderá passar pro lado daqueles que precisam desesperadamente de um transplante.”
O Sistema Nacional de Transplantes, coordenado pelo Ministério da Saúde, é responsável pela regulamentação, controle e monitoramento do processo de doação e transplantes de órgãos e tecidos realizados no Brasil. A lista de espera é única e vale tanto para o SUS quanto para pacientes da rede privada.
Dados de junho de 2025, divulgados pela entidade, apontam que mais de 45 mil brasileiros aguardam pela cirurgia. O coordenador da Central de Transplantes de Pernambuco, André Bezerra, explica o processo para se tornar um doador.
“Eu em vida quero ser um doador vivo. Neste caso, eu posso me tornar doador de medula óssea. Isso é junto com o Hemope. Quando eu vou pra coleta de sangue, lá tem a possibilidade de coletarem meu HLA e eu fazer parte de um banco. Agora, quando eu falo em doador falecido, hoje existe um movimento no Judiciário que se chama Aedo, Auto Declaração de Doador de Órgãos e Tecidos. Mesmo assim esse documento não tem poder legal. Se eu concordo com a doação, eu deixo minha família ciente dessa minha vontade.”
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