Dificuldades enfrentadas pelos doentes celíacos são discutidas na Alepe

Em 11/11/2024
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Dificuldade no diagnóstico, despreparo dos profissionais de saúde, desinformação e falta de ambientes seguros para se alimentar. As dificuldades enfrentadas pelos doentes celíacos do Estado foram debatidas em audiência pública promovida pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, nesta segunda. 

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença celíaca é autoimune e causada pela intolerância permanente ao glúten, principal fração da proteína presente no trigo, no centeio, na cevada e na aveia. Ela provoca a inflamação das células intestinais, com sintomas como diarreia, desnutrição, perda de peso e dores abdominais. 

A médica Emanuelle Cardinali sofre com a doença e reclamou da falta de estrutura para diagnosticar e atender os pacientes.  No Brasil, uma das questões para o subdiagnóstico é justamente porque na atenção primária, nos PSFs, são poucas as cidades que dispõem da possibilidade do médico da atenção primária solicitar as sorologias. Então ele tem que fazer um encaminhamento para um serviço terciário, um encaminhamento para o gastro. Quando chega, ainda vai passar pela fila para fazer a endoscopia, que também faz parte do diagnóstico. Então tudo isso demora ainda mais o diagnóstico desse paciente celíaco.” 

A nutricionista Micheline de Medeiros acrescentou a falta de preparo dos profissionais de saúde em identificar a diversidade de sintomas. Ela sofria de dores musculares incapacitantes, passou por três abortos espontâneos e precisou da avaliação de uma longa lista de especialistas para conseguir  o diagnóstico. Membro do Coletivo Celíacos de Pernambuco e mãe de um garoto de 9 anos que tem a doença, a farmacêutica Bety Senna defendeu a capacitação também dos profissionais da educação.

É preciso contar com a sensibilização das escolas para que compreendam a condição celíaca e nos ajude a garantir que nossos filhos não comam o lanche do colega ou que a mesa em que ele está sentado não tenha resquícios de alimentos com glúten. O próximo passo é a descoberta de que não há restaurantes em Pernambuco que ofereçam opções seguras para o celíaco. E assim perdemos uma parte importante da nossa vida social.” 

Também do Coletivo Celíacos de Pernambuco, Ana Isabel Machado alertou sobre os perigos da chamada “contaminação cruzada”, que acontece quando o alimento entra em contato com o glúten ao longo da cadeia de produção. Ela pediu incentivos fiscais para produtos totalmente descontaminados e campanhas para sensibilizar a sociedade. 

Um grupo de trabalho multidisciplinar criado pela Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária deve elaborar um plano de ação para o Estado. A informação foi dada por Gabriela Dias, representante da instituição. 

É preciso certificar esses produtores de alimentos, é preciso certificar um restaurante ou lanchonete que se diz produtora de alimentos sem glúten para poder dar segurança a esse consumidor. A partir disso, a gente pensou em criar um selo e todo um protocolo de vigilância sanitária para certificar essa instituição que ela tá produzindo um alimento sem glúten.”

O alto custo da dieta e a falta de opções seguras de alimentação fora de casa também foram temas abordados na audiência pública. 

Presidente da Comissão de Saúde, o deputado Adalto Santos, do PP,  garantiu que todos os pleitos apresentados no encontro serão encaminhados às instâncias responsáveis do Governo do Estado. 

O deputado João Paulo, do PT, anunciou projeto de lei para permitir que pessoas celíacas possam entrar com alimentos em eventos esportivos e culturais realizados em Pernambuco. Já o deputado Gilmar Júnior, do PV, defendeu a oferta de testes genéticos pelo SUS e pelos planos de saúde para facilitar o diagnóstico.