Desafios na busca por qualidade de vida no envelhecimento são discutidos na Alepe

Em 10/06/2026
-A A+

A Comissão de Saúde da Alepe realizou, nesta quarta, uma audiência pública para debater como a desigualdade social e a luta de classe impactam o envelhecimento da população. O debate foi presidido pelo deputado João Paulo, do PT, que destacou pesquisas apontando que a população idosa no Brasil vai ser maior do que a de crianças até 2031. O parlamentar afirmou que é preciso entender como as pessoas estão envelhecendo e a heterogeneidade desse processo.

As condições de trabalho e o acesso a renda, a saúde, a educação, as moradias e aos direitos acumulados ao longo dos anos influenciam diretamente a qualidade de vida que cada pessoa quando chega a essa etapa da vida. Por isso, precisamos refletir não apenas sobre os desafios do envelhecimento, mas também sobre os impactos que as políticas públicas têm na vida da população.”

A doutora em Serviço Social, Sálvea Campelo, destacou que o Brasil vive um acelerado processo de envelhecimento populacional. Dados do IBGE de 2024 mostram que o número de idosos no país mais que dobrou entre 2000 e 2023, passando de 15 para 32 milhões. A especialista alertou, porém, para os impactos do desmonte e da desregulamentação de direitos, especialmente nas áreas de previdência, saúde e educação. O vice-presidente da Federação dos Aposentados de Pernambuco, Cleodoval Teixeira, questionou reformas previdenciárias que diminuíram a renda dessa parcela da população e questionou como pode existir qualidade de vida com baixa remuneração.

Na pandemia, quem segurou esse país fomos nós aposentados, porque nós tínhamos, ainda que pouco, nosso salário. Adoecia o filho, vinha nora, vinha neto e o aposentado bancando tudo aquilo. Por isso que esse país não desembocou numa sarjeta e hoje, nós não somos reconhecidos.”

A procuradora de justiça do Ministério Público de Pernambuco, Yélena Araújo, ressaltou a importância desse debate em ano eleitoral, tendo em vista que a população idosa compreende pouco mais de 20% do eleitorado. Ela ainda questionou a falta de recursos para essa faixa populacional na Lei Orçamentária Anual. O que a gente realmente viu foram 11 milhões do Fundo do Idoso. 3,6% de recursos do próprio Estado. Todo dinheiro que está circulando para política da pessoa idosa no nosso Estado, a referência é o fundo. Emendas também o número é muito baixo. Então, a gente não está valendo nada.”

A presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, Iaura Lima, defendeu o fortalecimento dos conselhos e a efetivação dos direitos previstos no Estatuto da Pessoa Idosa. Já a coordenadora do doutorado em Envelhecimento Humano da Unifafire, Marcella Botelho, alertou para o aumento dos casos de depressão, ansiedade, insegurança alimentar e violência contra idosos, agravados pelo racismo estrutural e pela pobreza. O delegado Ícaro Schneider chamou atenção para a vulnerabilidade dessa população diante de golpes financeiros e digitais.

A secretária executiva de Cidadania e Cultura de Paz do Recife, Gabriela Moura, apresentou ações desenvolvidas nos Compaz, que oferecem serviços gratuitos como letramento digital, atividades esportivas, atendimento social e espaços de convivência. Em nome do Governo Estadual, Lucrécia Sales, da Secretaria Estadual de Saúde, defendeu o fortalecimento da atenção primária e a implementação efetiva das políticas públicas voltadas ao envelhecimento saudável.