Desafios de pacientes renais no tratamento são discutidos na Alepe

Em 30/03/2026
-A A+

A Comissão de Saúde da Alepe realizou, nesta segunda, uma audiência pública para discutir a Doença Renal Crônica em Pernambuco. O debate reuniu autoridades, profissionais de saúde e representantes da sociedade civil, que destacaram o aumento de fatores de risco na população e os desafios no acesso ao diagnóstico e tratamento. Quem presidiu o debate foi a deputada Socorro Pimentel, do União. Em Pernambuco, como em todo Brasil, observamos o crescimento dos fatores de riscos associados à doença, como hipertensão e diabetes, o que torna ainda mais urgente a ampliação do debate sobre prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento adequado.”

Dados do Ministério da Saúde de 2024 mostram que aproximadamente 10% dos brasileiros convivem com doença renal crônica. Presidente da Federação das Associações e Institutos de Diabetes e Obesidade, Vanessa Pirolo destacou a gravidade das duas comorbidades, normalmente associadas às doenças renais. Ela apontou ainda a falta de acesso ao diagnóstico precoce e a medicamentos que possam regular a função dos rins antes da necessidade de hemodiálise. Nesse sentido, Vanessa Pirolo defendeu maior investimento na atenção primária.

A gente mostrou, jogou o problema, mas se não tem um desdobramento disso, um acompanhamento, não tem como vermos a política pública implementada. Então, é uma provocação que eu faço para vocês. Precisamos ter a ação e a reação.”

Presidente da Associação dos Diabéticos e Familiares de Petrolina, Francisco Luiz relatou a situação no município do Sertão do São Francisco. Ele explicou que, durante uma campanha de creatinina realizada neste mês na Unidade de Saúde Lia Bezerra, 40% das pessoas testadas apresentaram problemas na fase inicial da doença renal. Hoje em Petrolina, temos 518 pessoas na fila aguardando uma consulta. São 400 mil habitantes e a gente tem apenas um nefrologista na rede municipal. Na  estadual, a profissional aposentou. Abriram edital de contratação, mas infelizmente ainda não apareceu alguém para ser contratado.”

Ana Paula Gueiros, médica e coordenadora do serviço de nefrologia do Hospital das Clínicas da UFPE, destacou que Pernambuco lidera o ranking nacional de transplantes de rim, o que ajuda a amenizar a situação da doença renal no estado. O superintendente do Ministério da Saúde em Pernambuco, Rosano Carvalho, explicou que a gestão busca ampliar o acesso a consultas, exames e procedimentos com o programa “Agora Tem Especialista”. O objetivo é suprir lacunas na atenção especializada e promover a formação de novos médicos. A iniciativa também concede um crédito que pode ser usado para compensar as dívidas dos planos de saúde com o SUS, como nos casos de atendimentos realizados pelo SAMU.

Esse plano de saúde precisa ressarcir ao Sistema Único de Saúde essa despesa. Isso não é pago, isso é uma dívida bilionária, e dentro do programa Agora Tem Especialista, a gente tem a possibilidade de chamar esse plano de saúde e dizer: ‘o que você pode ofertar a mais de consultas, de exames, de atendimento, de cirurgia às pessoas que são atendidas no SUS?’ Ela vai ganhar um crédito nisso e ela vai abater essa dívida.”

A diretora da Linha de Cuidados de Diabetes e Hipertensão da Secretaria de Saúde de Pernambuco, Ana Paula Silva, destacou o esforço do estado para ampliar a capacidade assistencial e formar profissionais especializados. Nós temos esse credenciamento aberto para as quatro macrorregiões e já temos um status histórico rápido, sete estabelecimentos que estão finalizando a contratação, dois que estão em elaboração de contrato e oito que estão naquela fase de análise documental, inclusive a Apevisa e etc. Então, nós estamos também fazendo, mantendo esse credenciamento que entendemos a necessidade de aumentar esses pontos de hemodiálise.”

O deputado João Paulo, do PT, reforçou a necessidade de uma política preventiva, incluindo uma reforma na cultura alimentícia do Brasil.