Deputada questiona ação da segurança da Alepe

Em 17/04/2019
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O tratamento recebido pela equipe da deputada Jô Cavalcanti, do coletivo Juntas, do PSOL, na Alepe, foi tema de debate na Reunião Plenária dessa quarta. A parlamentar relatou na Tribuna o caso de uma assessora que, segundo ela, devido à aparência, foi barrada no Plenário da Casa.

Isso é muito grave porque não está acontecendo só aqui na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Isso vem acontecendo no Brasil todo, onde nossas parlamentares estão sendo agredidas fisicamente e verbalmente pelo seu jeito, pela sua trança de cabelo. Ontem aconteceu com uma das nossas assessoras aqui na Casa. Iane foi entrar para fazer uma cobertura aqui, no Plenarinho, que tava tendo a Comissão da Mulher ontem pela manhã, e ela foi barrada na portaria pelo seu jeito, porque ela estava segurando uma câmera.” 

Em apartes, vários deputados se pronunciaram sobre o caso. Joel da Harpa, do PP, afirmou que é negro, mas nunca teve dificuldades com a equipe de segurança da Alepe. O líder da Oposição, Marco Aurélio Meu Amigo, do PRTB, lembrou que vários outros parlamentares têm origem nas periferias, mas que, apesar disso, nunca ouviu testemunho negativo a respeito da segurança da Casa. Clarissa Tércio, do PSC, ressaltou que as revistas no Legislativo são procedimentos normais. Pastor Cleiton Collins, do PP, defendeu as normas da Assembleia Legislativa e afirmou que a Casa tem cento e oitenta e quatro anos de respeito ao povo. Da Mesa Diretora, o presidente Eriberto Medeiros, do PP, se pronunciou a respeito do caso. Disse que tomou as providências necessárias, mas ressaltou que não houve agressão física, de acordo com as imagens das câmeras de segurança da Alepe.

De imediato, eu já salientei que iria procurar o superintendente, que é o coronel Renildo, para que apurasse os fatos, que procurasse a deputada, que convocasse o policial para ser ouvido e tomasse as providências necessáriasEu tive acesso ao vídeo ontem que não deixa em momento algum mostrar alguma agressão física do policial. Em todos os momentos ele fica com as mãos inclusive para trás, que é a posição correta.” 

Após o pronunciamento do presidente, Romário Dias, do PSD, defendeu que questões administrativas não sejam levadas à Tribuna da Casa.

A deputada do coletivo Juntas sugeriu à Mesa Diretora a realização de um curso para capacitar os servidores da Alepe para lidar com a diversidade social.